O Professor
está sempre erradoQuando...É jovem, não te experiência;È velho, está superado.Não tem automóvel, é um coitado;Tem automóvel, chora de "barriga cheia".Fala em voz alta, vive gritando;Fala em tom normal, ninguém escuta.Não falta ao emprego, é um "Caxias";Precisa faltaré um "turista".Conversa com os outros professores;Está malhando os alunos;Não conversa, é u desligado.Dá muita matéria, não tem dó dos alunos;Dá pouca matéria, não prepara os alunos.Brinca com os alunos,é metido a engraçado;Não brinca com a turma é um chato.Exige, é rude. Elogia, é debochado.O aluno é aprovado, "deu mole".É o professor que est´´a sempre errado, mas,Se vo^cê conseguir ler até aqui, agradeça a ele.
Postado por tissa às 08:23
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O Professor está sempre errado
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tissa
trabalho e curso o terceiro ano de pedagogia.sou muito bem casada e adoro fazer amizades. Visualizar meu perfil completo
sexta-feira, 22 de junho de 2007
terça-feira, 12 de junho de 2007
A internet na vida escolar
A escola deve ser um ambiente inovador onde recursos vão surgindo para auxiliar a conduta profissional. A informática passou a ser necessária nesse processo pois desde bem pequenos nossas crianças já tem o direito a fazer parte dessa evoluçao tecnológica.
"Quem alfabetiza com textos variados prepara melhor para a internet"
"Ignorar que a criança pensa e tem condições de escrever desde muito cedo é um retrocesso"
Com a internet, o perfil do leitor mudou. No contato com a rede, há alguma diferença no desempenho dos estudantes alfabetizados nessas duas metodologias?
Sempre defendi o acesso imediato da criança a jornais, revistas, livros de literatura, dicionários, enciclopédias. A tendência de quem não compartilha da minha opinião é ter livros com níveis de dificuldades seriados. Com o advento da internet nasceu também o espaço mais intertextual e mais variado que existe, mais até que uma biblioteca. Ou seja, quem está alfabetizando com textos variados prepara sua turma muitíssimo mais para a internet do que quem faz um trabalho mostrando primeiro uma letrinha e depois a outra. Para utilizar o computador e a internet é preciso enfrentar todo o alfabeto ao mesmo tempo. No teclado, as letras aparecem juntas — e, como se não bastasse, fora de ordem.
Sempre defendi o acesso imediato da criança a jornais, revistas, livros de literatura, dicionários, enciclopédias. A tendência de quem não compartilha da minha opinião é ter livros com níveis de dificuldades seriados. Com o advento da internet nasceu também o espaço mais intertextual e mais variado que existe, mais até que uma biblioteca. Ou seja, quem está alfabetizando com textos variados prepara sua turma muitíssimo mais para a internet do que quem faz um trabalho mostrando primeiro uma letrinha e depois a outra. Para utilizar o computador e a internet é preciso enfrentar todo o alfabeto ao mesmo tempo. No teclado, as letras aparecem juntas — e, como se não bastasse, fora de ordem.
NOSSAS ESCOLAS NECESSITAM EVOLUIR PARA QUE A EDUCAÇÃO TAMBÉM EVOLUA...
Elaine Fialho
Inclusão Digital-O que é?
O QUE É
?
?Depois de algum tempo pensando, conversando, interagindo com pessoas envolvidas em idéias e ações rotuladas com o termo inclusão digital, tenho me distanciado das pretensões de buscar um significante para os complexos fenômenos sociais associados à realidade contemporânea.
Imergindo nas origens históricas dos pressupostos que fizeram emergir a inclusão digital poderemos apreender as motivações, escolhas e construções que nos conduziram a pulverizar tecnologias digitais por entre favelas, aldeias, campos, periferias, entre tantos outros espaços e ciberespaços contemporâneos?
Em que medida, tais medidas de fato melhoraram significativamente a vida das pessoas, possibilitaram que transformassem a realidade onde vivem ? Não se trata aqui de questionar as tecnologias ou os projetos, mas refletir abertamente sobre os rumos que tomamos...
Talvez essa seja a questão! Muito mas que definir termos, ou avaliar ações, provoquemos o sistema! Inauguremos novos sentidos e ações que possam dar conta de um mundo livre, aberto e democrático. Chamemos a isso como quisermos, mas não nos deixemos levar por articulações, alienações e imposições e verborréia simplista de intenções políticas dúbias.
A Inclusão Digital tem sido pauta obrigatória no cenário político nacional e internacional e motivação de várias ações, projetos e programas nas agendas sociais no Brasil e em diversos países do mundo. Concebe-se, em geral que há uma exclusão digital causada pela distribuição desigual do acesso às redes de comunicação interativa mediadas por computadores conectados à internet e prescrevem-se como soluções democráticas a universalização do acesso a tais redes, assim como a democratização da informação.
Dessa forma disseminam-se centros de acesso público à internet, cursos de �alfabetização tecnológica� e outras iniciativas destinadas a minimizar a exclusão digital entre as comunidades de baixa renda. Nosso papel aqui é problematizar essa realidade e portanto propomos algumas questões fundamentais que pretendem iniciar uma discussão preliminar sobre o assunto.
Imergindo nas origens históricas dos pressupostos que fizeram emergir a inclusão digital poderemos apreender as motivações, escolhas e construções que nos conduziram a pulverizar tecnologias digitais por entre favelas, aldeias, campos, periferias, entre tantos outros espaços e ciberespaços contemporâneos?
Em que medida, tais medidas de fato melhoraram significativamente a vida das pessoas, possibilitaram que transformassem a realidade onde vivem ? Não se trata aqui de questionar as tecnologias ou os projetos, mas refletir abertamente sobre os rumos que tomamos...
Talvez essa seja a questão! Muito mas que definir termos, ou avaliar ações, provoquemos o sistema! Inauguremos novos sentidos e ações que possam dar conta de um mundo livre, aberto e democrático. Chamemos a isso como quisermos, mas não nos deixemos levar por articulações, alienações e imposições e verborréia simplista de intenções políticas dúbias.
A Inclusão Digital tem sido pauta obrigatória no cenário político nacional e internacional e motivação de várias ações, projetos e programas nas agendas sociais no Brasil e em diversos países do mundo. Concebe-se, em geral que há uma exclusão digital causada pela distribuição desigual do acesso às redes de comunicação interativa mediadas por computadores conectados à internet e prescrevem-se como soluções democráticas a universalização do acesso a tais redes, assim como a democratização da informação.
Dessa forma disseminam-se centros de acesso público à internet, cursos de �alfabetização tecnológica� e outras iniciativas destinadas a minimizar a exclusão digital entre as comunidades de baixa renda. Nosso papel aqui é problematizar essa realidade e portanto propomos algumas questões fundamentais que pretendem iniciar uma discussão preliminar sobre o assunto.
O termo “inclusão digital”, de tão usado, já se tornou um jargão. É comum ver empresas e governos falando em democratização do acesso e inclusão digital sem critérios e sem prestar atenção se a tal inclusão promove os efeitos desejados. O problema é que virou moda falar do assunto, ainda mais no Brasil, com tantas dificuldades - impostos, burocracia, educação - para facilitar o acesso aos computadores.
Afinal a inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia. A expressão nasceu do termo “digital divide”, que em inglês significa algo como “divisória digital”. Hoje, a depender do contexto, é comum ler expressões similares como democratização da informação, universalização da tecnologia e outras variantes parecidas e politicamente corretas.
Em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores. Como fazer isso? Não apenas ensinando o bê–á–bá do informatiquês, mas mostrando como ela pode ganhar dinheiro e melhorar de vida com ajuda daquele monstrengo de bits e bytes que de vez em quando trava.
O erro de interpretação é comum, porque muita gente acha que incluir digitalmente é colocar computadores na frente das pessoas e apenas ensiná–las a usar Windows e pacotes de escritório. A analogia errônea tende a irritar os especialistas e ajuda a propagar cenários surreais da chamada inclusão digital, como é o caso de comunidades ou escolas que recebem computadores novinhos em folha, mas que nunca são utilizados porque não há telefone para conectar à internet ou porque faltam professores qualificados para repassar o conhecimento necessário.
Afinal a inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia. A expressão nasceu do termo “digital divide”, que em inglês significa algo como “divisória digital”. Hoje, a depender do contexto, é comum ler expressões similares como democratização da informação, universalização da tecnologia e outras variantes parecidas e politicamente corretas.
Em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores. Como fazer isso? Não apenas ensinando o bê–á–bá do informatiquês, mas mostrando como ela pode ganhar dinheiro e melhorar de vida com ajuda daquele monstrengo de bits e bytes que de vez em quando trava.
O erro de interpretação é comum, porque muita gente acha que incluir digitalmente é colocar computadores na frente das pessoas e apenas ensiná–las a usar Windows e pacotes de escritório. A analogia errônea tende a irritar os especialistas e ajuda a propagar cenários surreais da chamada inclusão digital, como é o caso de comunidades ou escolas que recebem computadores novinhos em folha, mas que nunca são utilizados porque não há telefone para conectar à internet ou porque faltam professores qualificados para repassar o conhecimento necessário.
Um dos aspectos mais importantes sobre a Inclusão Digital é a mudança nas relações dos pais com a escola. A participação e envolvimento dos pais nas atividades escolares aumentou consideravelmente. Estes pais agora fazem parte do cenário escolar junto aos filhos e é comum serem vistos juntos aos estudantes nas dependências da escola como se fossem um deles. Desde o início das atividades, o entrosamento aumentou a ponto de alguns pais colaborarem até mesmo na execução de outros projetos que estão sendo desenvolvidos paralelos ao da Inclusão Digital.

Mariama Acotirene
Pedagogia libertária e Pedagogia crítica
Pedagogia Libertária e Pedagogia Crítica: aproximações
Texto de: Antônio Ozair da Silva
Postado pela aluna: Camila das Chagas
3º ano de Pedagogia - turma: 01
Seria um erro afirmar a identificação absoluta entre a Pedagogia Libertária e a Pedagogia Crítica. Parece-nos, entretanto, que é possível identificar algumas características comuns: a crítica à escolarização e à ideologia meritocrática; a crítica ao poder burocrático; reconhecimento do caráter essencialmente político da educação; a perspectiva democrática de conferir poder aos alunos e à comunidade escolar (incluindo os pais); o combate à exclusão e aos mecanismos de exclusão reais e simbólicos (relacionados ao capital cultural); e, a idéia de que o conhecimento não é neutro.
A crítica à função reprodutora da escola é fundamental. Contudo, o efeito negativo desta crítica é o pessimismo pedagógico, fundado num certo determinismo: a escola seria, por natureza, conservadora. Os educadores críticos ressaltam, contra esta concepção, que a redução da escola a mero aparelho ideológico do capital anula o discurso de possibilidade e esperança. Não obstante, eles incorporam esta análise. É preciso salientar que as teorias reprodutivistas cumprem um papel fundamental, na medida em que libertam a pedagogia do espaço meramente escolar, relacionando escola/educação com os aspectos políticos, econômicos e sociais da sociedade: a escola não se explica por si. Outra contribuição importante é a demonstração dos fatores culturais que a escola incorpora e reproduz.
A dinâmica no interior da escola está vinculada ao processo social geral. Assim, em determinadas conjunturas históricas, os professores podem desempenhar um papel transformador mais intenso e explícito; e, mesmo em conjunturas desfavoráveis, eles podem atuar como agentes da contra-hegemonia, enquanto intelectuais transformadores. As próprias circunstâncias em que desempenham seu trabalho educativo levam-nos a refletir sobre a prática docente, as relações a que estão submetidos, o processo de proletarização e pauperização, sobre o que se espera deles, etc. Isto supõe compreender a escola não apenas como locus da reprodução, mas também como locus de possibilidades; significa reconhecer que os indivíduos têm escolhas a serem feitas, que podem agir também no sentido de mudar a realidade que os cercam. O mesmo espaço que produz comportamentos conformistas e conservadores, também produz a contestação. Dessa forma, o mesmo movimento que reforça o papel do professor e da educação enquanto reprodutores da ordem social vigente, “cria condições para a emergência de uma pedagogia antiburocrática”. (TRAGTENBERG, 1980: 57)
Se absolutizarmos a crítica à escola formal e reduzirmos o campo de ação docente ao espaço escolar, então, corremos o risco de restringi-la apenas à função reprodutora da sociedade de classes e, conseqüentemente, de não vermos as suas potencialidades. Ora, a Pedagogia Libertária é uma aposta no futuro que se constrói no presente, a partir das escolhas humanas e dos gestos mais simples em todas as esferas da sociedade. É também uma pedagogia de possibilidades, de esperança, pois encerra em si a utopia de um mundo diferente e melhor. A Pedagogia Crítica enfatiza o papel transformador que o professor pode cumprir enquanto intelectual. Isto pressupõe não apenas que os professores se engajem, mas que atuem em todos os espaços possíveis.
Os educadores libertários e críticos centram-se nos interesses destes. Eles recusam as práticas autoritárias e reconhecem que o educador também precisa ser educado; que a relação com o conhecimento não é uma relação meramente objetiva – na medida em que envolve as subjetividades do professor/aluno. Contudo, numa perspectiva pedagógica diretiva, o professor também admite que ele não é igual ao aluno: sua autoridade moral é dada pelo reconhecimento dos alunos. Estes, ao legitimarem a autoridade docente, reconhecem-no como um diferente – ainda que possam idealizá-lo como um igual, ou uma espécie de irmão mais velho ou a representação paterna. A relação educativa é, necessariamente, uma relação entre desiguais. Porém, o educador libertário e crítico estimula a autonomia do educando, ensina a liberdade com responsabilidade; sua autoridade não sufoca a liberdade do educando; sua atitude é de humildade e expressa o esforço em aceitar os alunos como agentes ativos, cujo capital cultural e subjetividade precisam ser respeitados.
As pedagogias libertária e crítica respeitam a linguagem e o saber do educando, isto é, o capital cultural que este traz para o espaço da educação formal. Não obstante, esta atitude nega a postura paternalista ou piegas e supõe que se trabalhe para que os estudantes tenham condições de, a partir da sua própria linguagem, apreenderem o discurso legitimado pela cultura dominante; o contrário é reforçar a submissão e os aspectos que contribuem para a reprodução das desigualdades. Trata-se de desvelar o currículo oculto.
A Pedagogia Crítica parte da realidade dos educandos e toma os seus problemas e necessidades como ponto de partida. Os educadores críticos salientam “que qualquer prática pedagógica verdadeira exige um compromisso com a transformação social, em solidariedade com grupos subordinados e marginalizados. Isto transmite, necessariamente, uma opção preferencial pelo pobre e pela eliminação das condições que geram sofrimento humano”. (MCLAREN: 1997: 194)
Concluindo...
A crítica à função reprodutora da escola é fundamental. Contudo, o efeito negativo desta crítica é o pessimismo pedagógico, fundado num certo determinismo: a escola seria, por natureza, conservadora. Os educadores críticos ressaltam, contra esta concepção, que a redução da escola a mero aparelho ideológico do capital anula o discurso de possibilidade e esperança. Não obstante, eles incorporam esta análise. É preciso salientar que as teorias reprodutivistas cumprem um papel fundamental, na medida em que libertam a pedagogia do espaço meramente escolar, relacionando escola/educação com os aspectos políticos, econômicos e sociais da sociedade: a escola não se explica por si. Outra contribuição importante é a demonstração dos fatores culturais que a escola incorpora e reproduz.
A dinâmica no interior da escola está vinculada ao processo social geral. Assim, em determinadas conjunturas históricas, os professores podem desempenhar um papel transformador mais intenso e explícito; e, mesmo em conjunturas desfavoráveis, eles podem atuar como agentes da contra-hegemonia, enquanto intelectuais transformadores. As próprias circunstâncias em que desempenham seu trabalho educativo levam-nos a refletir sobre a prática docente, as relações a que estão submetidos, o processo de proletarização e pauperização, sobre o que se espera deles, etc. Isto supõe compreender a escola não apenas como locus da reprodução, mas também como locus de possibilidades; significa reconhecer que os indivíduos têm escolhas a serem feitas, que podem agir também no sentido de mudar a realidade que os cercam. O mesmo espaço que produz comportamentos conformistas e conservadores, também produz a contestação. Dessa forma, o mesmo movimento que reforça o papel do professor e da educação enquanto reprodutores da ordem social vigente, “cria condições para a emergência de uma pedagogia antiburocrática”. (TRAGTENBERG, 1980: 57)
Se absolutizarmos a crítica à escola formal e reduzirmos o campo de ação docente ao espaço escolar, então, corremos o risco de restringi-la apenas à função reprodutora da sociedade de classes e, conseqüentemente, de não vermos as suas potencialidades. Ora, a Pedagogia Libertária é uma aposta no futuro que se constrói no presente, a partir das escolhas humanas e dos gestos mais simples em todas as esferas da sociedade. É também uma pedagogia de possibilidades, de esperança, pois encerra em si a utopia de um mundo diferente e melhor. A Pedagogia Crítica enfatiza o papel transformador que o professor pode cumprir enquanto intelectual. Isto pressupõe não apenas que os professores se engajem, mas que atuem em todos os espaços possíveis.
Os educadores libertários e críticos centram-se nos interesses destes. Eles recusam as práticas autoritárias e reconhecem que o educador também precisa ser educado; que a relação com o conhecimento não é uma relação meramente objetiva – na medida em que envolve as subjetividades do professor/aluno. Contudo, numa perspectiva pedagógica diretiva, o professor também admite que ele não é igual ao aluno: sua autoridade moral é dada pelo reconhecimento dos alunos. Estes, ao legitimarem a autoridade docente, reconhecem-no como um diferente – ainda que possam idealizá-lo como um igual, ou uma espécie de irmão mais velho ou a representação paterna. A relação educativa é, necessariamente, uma relação entre desiguais. Porém, o educador libertário e crítico estimula a autonomia do educando, ensina a liberdade com responsabilidade; sua autoridade não sufoca a liberdade do educando; sua atitude é de humildade e expressa o esforço em aceitar os alunos como agentes ativos, cujo capital cultural e subjetividade precisam ser respeitados.
As pedagogias libertária e crítica respeitam a linguagem e o saber do educando, isto é, o capital cultural que este traz para o espaço da educação formal. Não obstante, esta atitude nega a postura paternalista ou piegas e supõe que se trabalhe para que os estudantes tenham condições de, a partir da sua própria linguagem, apreenderem o discurso legitimado pela cultura dominante; o contrário é reforçar a submissão e os aspectos que contribuem para a reprodução das desigualdades. Trata-se de desvelar o currículo oculto.
A Pedagogia Crítica parte da realidade dos educandos e toma os seus problemas e necessidades como ponto de partida. Os educadores críticos salientam “que qualquer prática pedagógica verdadeira exige um compromisso com a transformação social, em solidariedade com grupos subordinados e marginalizados. Isto transmite, necessariamente, uma opção preferencial pelo pobre e pela eliminação das condições que geram sofrimento humano”. (MCLAREN: 1997: 194)
Concluindo...
Parece-me que é possível estabelecer aproximações entre as teorias que fundamentam a Pedagogia Crítica e os princípios que tradicionalmente caracterizam a Pedagogia Libertária. Com isso, não quero afirmar que as especificidades de cada pedagogia se anulam ou que se sobrepõem uma à outra. Pelo contrário, há diferenças substanciais, como por exemplo, a inspiração cristã da Teologia da Libertação presente nas formulações de Paulo Freire, cuja obra, como salientamos, influi decisivamente sobre os educadores críticos; outra diferença fundamental é a ênfase da Pedagogia Libertária na autogestão, em especial nas suas interpretações pedagógicas não-diretivas. Os fundamentos filosóficos, as origens, evolução, etc., são diferenciados.
Contudo, tanto a Pedagogia Libertária quando a Pedagogia Crítica têm preocupações comuns com os deserdados e excluídos, tratam de temas comuns e oferecem um amplo leque de princípios norteadores para as práticas educativas. É possível, até mesmo, vislumbrar aproximações no que diz respeito à defesa da autogestão, em especial se considerarmos a contribuição teórica de Paulo Freire e a sua postura pela democratização da escola num sentido radical, isto é, envolvendo professores, alunos e funcionários nas decisões sobre os rumos da educação. Dessa maneira, é possível verificar similitudes, por exemplo, entre a pedagogia do oprimido e da esperança freireana e aspectos libertários, particularmente, em sua versão anarco-cristã tolstoiana.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
CRIANÇA DISLÉXICA É DISCRIMINADA NA ESCOLA
Por: Andréia Cristina Cavalcante da Silva
3. Ano de Pedagogia
Turma: I
Distúrbios da Aprendizagem
Criança disléxica é discriminada nas escolas
Dislexia...??? Dificuldades de Aprendizagem....???
Dislexia e maus-tratos infantil
A escola e o disléxico
Dislexia por Clélia Argolo Estill
Criança disléxica é discriminada nas escolas
Selene Calafange
Não consigo matricular meu filho nas escolas, para este ano letivo de 2001. Venho, através desta, tornar público o mais recente tipo de discriminação, e ao meu ver, extremamente desumana e cruel.No nosso mundo tão moderno existe um fantasma... um fantasma invisível que consegue transformar algumas crianças em vitimas... vitimas das escolas... vitimas dos professores... vitimas dos colegas... vitimas até dos pais... vitimas da vida. Este fantasma possui o terrível poder de transformar em câncer uma criança inteligente... sadia... este fantasma chama-se Dislexia. Sou uma mãe que vem buscando ajuda e apoio ao filho que tem este diagnóstico. Tenho lutado arduamente e exaustivamente para que o Sistema Educacional Brasileiro apoie e ajude meu filho, mas nada consegui.Tornei-me uma investigadora dos Distúrbios da Aprendizagem, especificamente da Dislexia. Após anos de frustrações e lágrimas, meu filho (hoje com 13 anos), foi diagnosticado como disléxico aos 8 anos. Não compreendo como professores que se apercebem das dificuldades escolares de um aluno, não perceberam do que se tratava. Isso significa que Escola e professores ignoram o que seja Dislexia, nem ao menos sabem que existe... e pior, não sabem que tem jeito! As escolas em que ele estudou, aqui no Brasil, (todas particulares e caríssimas) apenas "observaram" que existia alguma coisa errada com o desenvolvimento escolar dele, mas no fundo, pensavam mesmo é que ele era "lento", "preguiçoso", "não queria nada com os estudos" etc. Fui ao longo dos anos, após freqüentar psicólogos, fonaudiólogos, psicomotricistas e muitos outros especialistas, indicados pelos próprios colégios, acumulando apenas stress e frustrações, até que resolvi, mesmo por insight e por "sentir" as dificuldades dele, tirá-lo de todos estes especialistas e levá-lo a um neuropediatra, onde, após alguns testes, ficou diagnosticada a Dislexia. O médico foi extremamente vago e me disse apenas que não esperasse dele nenhuma intelectualidade (o que, hoje, acho uma atitude bastante negligente) e que não era o caso dele freqüentar escolas especiais, as escolas normais é que deveriam estar aptas a receber estas crianças, mas que aqui, eu nem me iludisse, que não havia nenhuma. Nisso ele estava certo!!! Certíssimo!De lá para cá nada mudou. Continuei a minha via crucies, com professores particulares o ano todo, psicólogos etc... Só agora neste ano de 2000, quando obtive um computador, e guiada pela angústia nos olhos de meu filho ao final de cada avaliação escolar, comecei a pesquisar na Internet sobre o assunto. A cada site que entrava (a maioria em Inglês) ficava mais indignada em perceber o desrespeito oferecido aos disléxicos, pelos órgãos ligados à educação no meu país. Sou graduada em Letras, e nunca durante toda minha vida universitária, aqui no Brasil, tive qualquer esclarecimento sobre os Distúrbios da Aprendizagem, que são muitos, nem como matéria básica do meu currículo universitário, nem como curso de extensão ou palestras, ou qualquer coisa no sentido de informação e conhecimento do assunto. É onde começa a grande ineficiência: na formação dos profissionais de educação.Mergulhei fundo nas minhas pesquisas, ávida de informações que pudessem ajudar-me com meu filho. Hoje , após exaustiva luta, após contatar vários órgãos e instituições brasileiras e estrangeiras, cheguei a algumas tristes conclusões: 1- Pouquíssimas pessoas ligadas à Educação, não generalizando, conhecem a Dislexia e/ou Distúrbios da Aprendizagem, o que dificulta a diagnose precoce, que é muito importante, como também o devido tratamento, ou melhor, treinamento (a reeducação, o que não seria necessário, caso houvesse a prevenção, o que também é possível).2- Alguns profissionais que conhecem o assunto, mantêm uma posição conformista e irresponsável, exatamente por não terem fundamentações e nem conhecimento de causa, nem nenhuma profundidade sobre o tema. Tratam a Dislexia como uma disfunção neurológica irreversível, o que não o é, em verdade. 3- As crianças portadoras de Dislexia, não se enquadram em nenhuma situação na atual Educação Brasileira:Nas escolas particulares, não se conhece a Dislexia. Não existe um apoio especial para alunos disléxicos nestas escolas. Enfim, não existem crianças disléxicas nas escolas particulares. Todos precisam ser "alunos nota 10"! Nas escolas públicas, eles não são enquadrados nem como portadores de necessidades especiais, já que têm seu teste de QI normal (para se ter a diagnose de Dislexia é imprescindível que este teste esteja dentro dos parâmetros do QI médio, ou acima dele), então, se têm o QI normal, e são inteligentes, não são deficientes, não têm dificuldades, simplesmente são vistos e etiquetados "burros", "preguiçosos" ou algo desta natureza. Isto cria um estigma, que eles carregam por a toda a vida, como uma cruz, o que gera uma série de problemas sociais e psicológicos. São freqüentemente crianças humilhadas em casa, na presença dos outros irmãos, sempre com boas notas... humilhadas na Escola, pois ser o lanterninha da classe não é bem um motivo de orgulho, e as outras crianças não perdoam... cria-se um enorme abismo entre elas... Como têm a inteligência normal, e muitas vezes acima do normal, elas percebem que têm dificuldades, mas não sabem como superá-la. Sem ajuda e apoio elas perdem-se... desestimulam-se... desistem... É assim que são tratados os disléxicos no Brasil... Entra, então, neste contexto ,o problema seríssimo da auto estima... eu sei bem o que é isso. Meu filho, aos 7 ou 8 anos dizia-me "eu não devia ter nascido". Apenas para informação: existe uma incidência muito grande de disléxicos nas populações marginais, ou seja, no cárcere, nas drogas e nos desempregados, por não terem apoio, por não serem respeitados, por serem relegados. Não permitirei que meu filho seja mais um número para o aumento desses índices. Não existe especificidade para a Dislexia dentro do Sistema Educacional no Brasil. Não é conferido aos portadores de Dislexia, condições de realizações e de aprendizagem; não têm direito à igualdade de oportunidades educacionais... não têm direito a um futuro.Entrei em contato com muitas instituições estrangeiras, recebi muito material informativo. Comprei muitos livros.Através dos livros, conheci o Prof. Dr. Vítor da Fonseca, coordenador do mestrado em Educação Especial, na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa. Este, deu-me todo o esclarecimento e suporte para que meu filho tenha o necessário para seu desenvolvimento e progresso escolar. Trata-se da reeducação psicomotora. Fiz alguns testes para identificar a dislexia especifica dele. Ficou claro: tinha grandes dificuldades de orientação espacial. Uma criança orienta-se no espaço em relação ao seu próprio corpo. Ora, se ela não consegue reconhecer, sentir seu próprio corpo, o alto e o baixo, a direita e a esquerda (isso chama-se um mal esquema corporal) ela encontra-se desamparada em relação ao mundo exterior. Vi então claramente o que tinha acontecido e como se desenvolveu a dislexia nele: na pré escola, por ele ser hiperativo (outro problema que a Escola não sabe como conduzir), não participava dos exercícios que aprimorava a Psicomotricidade, as professoras me contavam: "Ele foge da sala de aula e vai para o parque!" Achando muita graça nisso. Comecei a analisar então porque o grande índice de reprovação nas escolas públicas, as crianças não tem direito a uma educação psicomotora, porque entram na escola aos 7 anos. É primordial, para que alguém leia ou escreva, que tenha uma educação psicomotora aprimorada até os 7 anos de idade. Para nada mais serve a pré-escola, senão para a socialização e a Psicomotricidade. Se eu consegui me aprofundar e compreender tudo isso, qualquer pessoa interessada e comprometida com a Educação também consegue!!A partir de todas as informações que tinha de fora, resolvi então ver como funcionava aqui no Brasil. Participei de congressos, de palestras. Conversei com congressistas e palestrantes. Fui inclusive a Portugal ver como funcionavam as escolas de lá. Também através da Internet, tomei conhecimento de um curso de especialização para professores, em Dislexia, este em Aveiro. Estive em Portugal, em Outubro de 2000, para ver como funcionava a escola á nível de apoio pedagógico aos disléxicos. Há realmente uma grande preocupação para a conscientização e a sensibilização, em relação à Dislexia.. Estive na EB 2-3 em Ílhavo e vi pessoalmente como funciona o apoio às crianças disléxicas, a nível de Escola. Fui atendida pelo Prof. Dr. Carlos Manuel da Silva, especialista em dislexia, o qual foi de gentileza e atenção inestimáveis.Autodidaticamente, elaborei um projeto de reeducação psicomotora e reeducação corretiva da língua para meu filho (se as suas dificuldades tivessem sido descobertas logo que começou a aprendizagem da leitura, apenas alguns meses de reeducação teriam sido suficientes para libertá-lo de toda esta angustia). Mas para isso preciso que a Escola me dê um apoio, pois de nada adianta este treinamento, se as escolas, não me derem o mínimo suporte necessário, no sentido pedagógico (em Portugal a própria escola faz este treinamento com o aluno, em outro horário). É um trabalho totalmente em conjunto. Tentei em muitas escolas este apoio, ninguém abriu-me esta porta. E pior de tudo: Não consegui matricular meu filho nas escolas que procurei para este ano letivo de 2001. Todas "sugerem", muito sutilmente que procure outra escola. Ou seja, agora, além de todas as dificuldades inerentes ao problema, rejeitam meu filho. Isso é PRECONCEITO, isso é EXCLUSÃO, isto é CRIME e INAFIANÇÁVEL!Mas crimes aqui, não são passivos de justiça.Minha atual situação é a seguinte: Se eu não comunicar às escolas que ele tem dislexia e o que é preciso fazer para tornar viável a aprendizagem dele, o problema vai continuar o mesmo, ou seja, vão mandar chamar-me na escola logo nas primeiras notas, e com aquele "ar catastrófico" irão sugerir que eu o leve, primeiro ao psicólogo, mais tarde ao fonoaudiólogo e assim sucessivamente, já conheço todo o processo. E de nada vai adiantar tudo isso! Já percorri este caminho.... Se eu disser o que sei e aprendi, não o aceitam na escola. E o que eu faço? Quais são as minhas chances? E as do meu filho? Isso tudo acontece simplesmente por pura falta de humildade das Escolas. Não aceitam que uma mãe tenha mais interesse e pesquise mais que elas. Preferem assumir esta atitude negligente e irresponsável para com o aluno. Por que não poderíamos desenvolver juntos algum projeto que ajudasse meu filho, e quem sabe, mais quantas crianças com o mesmo problema? Por que a minha vivência diária de toda uma problemática, e tudo o que aprendi não interessa à Escola? Segundo estatísticas de 15% a 30% das crianças em idade escolar podem ser disléxicas. É uma incidência muito alta. Eu tenho a grande vantagem de estar disponível e de poder dedicar muito tempo à reeducação de meu filho. E as outras crianças? O que será feito delas?Contatei vários órgãos governamentais, como a Secretaria de Educação Especial/SP(SEE/SP), Organizações Não Governamentais, Associação Brasileira de Dislexia (ABD), a LDB - Lei de Diretrizes e Bases, a qual mandou-me um longo e-mail fazendo-me ver que:EXISTE toda uma legislação para apoiar e dar suporte a todos os alunos deficientes ou portadores de necessidades especiais (nisso não se inclui a dislexia) e de uma forma bastante adequada, mas, ao final desta mesma correspondência afirmaram (ipsis litera) :"Como exposto acima, a Lei promove mudanças significativas na questão da Educação Especial. Você deve estar pensando: bom, e na realidade, na nossa vida concreta? Aí é que reside o distanciamento entre o que prescreve a lei e a realidade. As formas de aplicação da lei demandam estudos, devido ao descaso a que essa população específica tem sido relegada"E mais à frente me sugerem:"continue pesquisando e estabeleça rede de contatos com famílias que vivem a mesma situação." Diante do exposto, pelo próprio órgão que legisla a Educação, e não consegue fazer com que se executem as leis por ele próprio elaboradas, fiquei realmente muito desestimulada a ir em frente nesta luta social, descobri que não tenho "poder" para modificar toda uma situação que descobri ser simplesmente política, não é humana, não é social, não é educativa. O aluno é o objeto de menos importância na Educação brasileira.Da Secretaria de Educação Especial (SEE/SP), recebi o convite para incluir minhas pesquisas na Revista Integração, que circula pelo país, a nível de escola pública. E por que eu faria isso? No que minhas pesquisas iriam ajudar meu filho e/ou outras crianças com o mesmo problema? Minhas exaustivas horas de estudos serviriam apenas para informação? Isso é pouco, muito pouco! E efetivamente o que fariam pelo meu filho? Absolutamente nada.Sou uma dessas pessoas que ainda se emociona ao ouvir o Hino Nacional... Mas estou desistindo do Brasil... Tentei de tudo...Estou neste momento, viabilizando a única saída que me restou: sair do Brasil com meu filho. Para que ele possa desenvolver-se e tornar-se um adulto digno. Para que ele possa ter direito a um futuro, a uma vida. Infelizmente não tenho tempo nem disposição para cruzar meus braços e esperar que alguém, um dia tome alguma atitude. Tenho pressa. Agradeço a Deus essas possibilidades. Sei que milhões de crianças no Brasil não as terão.Nas estatísticas de dislexia no mundo, curiosamente o Brasil não participa destas estatísticas. Será o Brasil um país privilegiado? Sem nem ao menos um disléxico?Também não encontramos nenhum brasileiro uma lista de disléxicos famosos.. Privilégio nosso? Talvez sorte...Precisamos fazer com que as escolas não sejam apenas mais uma forma de se enriquecer ilicitamente neste país, digo ilicitamente pela total negligência e falta de comprometimento com o aluno em si, apesar de pagarmos tão alto preço, por uma educação ineficiente, inespecífica e descomprometida. O aluno é apenas mais um número que significa uma cifra. Nada mais...Desde já agradeço a atenção e sei que apenas a imprensa poderá, de alguma forma, pelo menos alertar as autoridades e sensibilizar os profissionais de educação... Tudo é apenas uma questão de investigação, de interesse, de amor ao que se pretende, e que chamam Educar.
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Dislexia...??? Dificuldades de Aprendizagem....???
Epistemologicamente Dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impede uma criança de ler e compreender com a mesma facilidade com que o fazem as crianças da mesma faixa etária, independente de qualquer causa intelectual, cultural ou emocional. Todo o desenvolvimento da criança é normal, até entrar na escola. É um problema de base cognitiva que afeta as habilidades lingüísticas associadas à leitura e à escrita. Pessoalmente questiono a terminologia Dislexia porque produz uma sonoridade de patologia, o que não o é. Não se fala em cura ou tratamento ou medicamentos quando se fala em Dislexia, não é portando uma doença. Ser disléxico é como ser canhoto. Acredito que pessoas são disléxicas e não estão disléxicas, esta é uma condição natural, pessoas nascem disléxicas ou não-disléxicas, e assim permanecem por toda a vida, assim como pessoas nascem canhotas ou destras e assim o são por toda a vida. Os canhotos sofreram durante muitos anos discriminação e tentativas de "tratamento": colocar gesso na mão dominante é hoje considerado um crime, mas não era assim há alguns anos atrás. As bancas escolares eram feitas apenas para os destros, depois foram adaptadas para os canhotos também, assim é ser disléxico... O sistema escolar atual é desenvolvido para a maioria, que é não-disléxica. Os disléxicos ficam à margem de um sistema educacional que os exclui e os aprisiona.A grande polêmica acerca do tema Dislexia é por seu comprometimento neurológico, mas precisamos entender que pertencem à área da Saúde apenas a causa e a diagnose. O reconhecimento das características precocemente, as conseqüências, as soluções e as adaptações pertencem à Educação. Não existem disléxicos entre os analfabetos. É nas salas de aula que a Dislexia se faz presente e o que é pior: de uma forma catastrófica e algumas vezes irreparável.As grandes dificuldades aparecem por volta dos 8 ou 9 anos de idade, quando a criança começa enfrentar temas acadêmicos mais complexos, as notas baixas e fraco desempenho escolar são características básicas na vida escolar de crianças disléxicas. Manifestações de decepção, desaprovação, de cólera, de ridicularização, de humilhação por parte dos grupos a que pertencem, afetam mortalmente a auto-estima destas crianças.Elas são humilhadas em todos os sentidos e por todos os grupos em que está inserida: pelos pais, pelos irmãos, pelos colegas, pelos professores. Com sua auto-estima extremamente abalada, elas certamente desenvolverão distúrbios de conduta: da agressividade à timidez intensa ou depressão, e daí para a marginalidade propriamente dita, para a delinqüência, é apenas um passo. Isso indica um desajustamento social com graves conseqüências para a sociedade como um todo. Não existe orgulho nem satisfação em destacar-se na escola por problemas de aprendizagem, nem pelas notas baixas recebidas. As estatísticas indicam que de 15% a 30% das crianças em idade escolar sofrem com suas dificuldades acadêmicas, 15% delas são disléxicas. É um índice muito alto, para continuarmos com os olhos fechados. Sem a assistência e o apoio necessários estas crianças desestimulam-se, perdem-se e por fim desistem. Pergunto-me se este não seria um bom motivo para que se investigassem os altos índices de reprovação e de evasão escolar.Leitura lenta sem modulação, sem ritmo e sem domínio da compreensão/interpretação do texto lido; confundir algumas letras; sérios erros ortográficos; dificuldades de memória; dificuldades no manuseio de dicionários e mapas; dificuldades de copiar do quadro ou dos livros; dificuldades de entender o tempo: passado presente e futuro; tendência a uma escrita descuidada, desordenada e às vezes incompreensível; não utilização de sinais de pontuação/acentuação gramaticais; inversões, omissões, reiterações e substituições de letras, palavras ou silabas na leitura e na escrita, problemas com sequenciações, essas são apenas algumas das características disléxicas que podem ser observadas nas crianças com dificuldades escolares. Se pudermos dissociar as dificuldades de ler e escrever corretamente à ausência de problemas intelectuais ou de outro tipo de problemas que possam dar uma explicação alternativa ao problema apresentado, então podemos suspeitar de uma possível dislexia. Numa primeira etapa da aprendizagem, algumas crianças podem apresentar estas características, e esses são considerados erros normais dentro do processo de aprendizagem, é preciso distinguir essas dificuldades das dificuldades disléxicas que são mais profundas, constantes e contínuas. Crianças com expressivas dificuldades de leitura não são necessariamente disléxicas, mas todas as crianças disléxicas têm um sério distúrbio de leitura.O diagnostico precoce é imprescindível para o desenvolvimento contínuo das crianças disléxicas. Reconhecer as características é o primeiro passo para que se possam evitar anos de dificuldades e sofrimentos, induzindo esta criança, fatalmente ao desinteresse pela escola e à tudo o que está em torno dela, gerando às vezes quadros "quase-fóbicos", desta criança em relação à tarefas que exijam a leitura e a escrita. Crianças com dificuldades escolares seja qual for a raiz do problema, necessitam de educação, atenção e ensino diferenciados para que possam desenvolver suas habilidades, e quanto mais cedo for detectado o problema, melhores serão os resultados. Uma das grandes frustrações dos pais é saber que seu filho tem problemas escolares. A maioria não sabe o que fazer e como ajudar. O certo seria procurar apoio nas escolas, com os professores, mas estes também, muitas vezes, não sabem o que fazer. Isso porque não foram instruídos para tal. As universidades não capacitam os educadores para lidar com os sérios problemas de aprendizagem. Este é um problema muito complexo, mas certamente todos apontam o dedo para o aluno. Uma criança com dificuldades escolares está marcada cruelmente, carregando a pesada cruz de não saber o que fazer com suas dificuldades. Elas têm uma bomba nas mãos. Estas crianças são atingidas em cheio na sua auto-estima quando, com nossas atitudes, mostramo-lhes como elas são preguiçosas, lentas, burras, desqualificadas... Quando as desprezamos...As abandonamos...Como pais precisamos ultrapassar os limites da culpabilidade e enfrentarmos, junto com nossos filhos, suas dificuldades, e mostrarmos que nosso amor por eles não existe em função de suas notas escolares.Essa é uma associação muito perigosa.Como educadores precisamos caminhar, por conta própria, em busca das informações necessárias para que este quadro se modifique. Não podemos esperar que as informações cheguem às nossas mãos através da Escola. Elas não chegarão. As Universidades não preparam seus alunos, futuros professores, para atender às necessidades das crianças disléxicas. E elas existem! Estão por aí em todas as salas de aulas! Até que desistam...Necessita-se instaurar dentro das escolas, medidas preventivas essenciais para a reestruturação do aluno em sua forma mais abrangente, evitando assim, as situações traumatizantes que os problemas de aprendizagem escolar causam em algumas crianças, que neste atual momento não são, ao menos, respeitadas. Toda e qualquer dificuldade escolar tem uma causa e uma solução. Ninguém nasce com dificuldades escolares, elas aparecem ao longo do caminho e precisam ser observadas , respeitadas e solucionadas.É tarefa de todo e quaisquer educadores, sejam eles os pais ou os professores, ter como base ética o compromisso de ver desenvolver-se dignamente e efetivamente a aprendizagem acadêmica de seu(s) educando(s), buscando novas formas de aprendizagem e novos programas de ensino que possam colaborar para a inclusão destas crianças no mundo das letras, ajudando-as a sobreviver dentro deste único modelo de escola que se nos apresenta. Não podemos mais continuar contribuindo para que nossa sociedade padeça com as conseqüências que a desinformação dos problemas escolares promove; não podemos mais fechar os olhos e calar. Precisamos urgentemente lutar para que as informações e que as novas formas de aprender cheguem dentro das escolas, aos educadores e aos pais. Precisamos restaurar a dignidade humana a nível nacional, mas só o faremos quando pudermos compreender as graves conseqüências sociais que o insucesso escolar provoca, gerando uma relação inadequada entre esta criança e o Mundo.
"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes".Albert Einstein (nosso disléxico mais famoso...)
Selene Calafangesbcalafa@terra.com.br
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Dislexia e maus-tratos infantil
Sabemos todos que o Maus-tratos Infantil, é crime. Dentre as várias formas de maus-tratos infantil está o "maus-tratos emocional": "É interessante destacar que é uma das formas de maus-tratos infantil mais difícil de diagnosticar. Geralmente, detecta-se quando associado a outros quadros severos de maus-tratos e ainda que confirmada a suspeita, a intervenção dos profissionais e/ou do sistema legal ocorre de forma mais cautelosa", afirma Intebi. "É a conseqüência da hostilidade verbal crônica em forma de burla, desprezo, crítica ou ameaça de abandono e constante bloqueio das iniciativas de interação infantil. Quem maltrata psiquicamente pode adotar atitudes tais como de humilhar a criança frente aos outros, privá-la de saídas e de sua integração social, utilizando para isto desde apenas evitar a socialização como até encerrar a criança em casa. Pode-se ilustrar este tipo de maus-tratos dizendo que os filhos podem ser atingidos com atitudes, gestos e palavras, ou simplesmente rechaçando a individualidade da criança ou do adolescente de maneira tal, que impeça o seu desenvolvimento psicológico normal.( Copyright © 2000 eHealth Latin América)" Lendo este texto, com tais informações, fiquei ainda mais preocupada com as crianças disléxicas que, descobri, sofrem sim maus-tratos, quando estão perfeitamente enquadradas dentro das situações citadas acima. Não precisamos bater numa criança para que ela sinta-se maltratada, basta uma palavra pesada em sua essência...um olhar de desprezo...Nós, pais e educadores, maltratamos uma criança quando não compreendemos suas dificuldades escolares e pior que isso, quando as humilhamos com nossos preconceitos acerca do seu insucesso escolar, quando ao avaliá-las ,damo-lhes notas morais e sociais através das suas notas escolares sem ao menos imaginar que nisso existe sofrimento ; quando as comparamos com as crianças não disléxicas . Uma criança com dificuldades escolares está marcada cruelmente, carregando a pesada cruz de não saber o que fazer com suas dificuldades. Elas têm uma bomba nas mãos. Estas crianças são atingidas em cheio na sua auto-estima quando, com nossas atitudes, mostramo-lhes como elas são preguiçosas, lentas, burras, desqualificadas... quando as desprezamos...as abandonamos...quando as deixamos num cantinho da sala de aula...esquecidas. Até quando estaremos cometendo este crime? Até quando apontaremos o dedo para estas crianças e as julgaremos e as condenaremos pelos seus insucessos escolares, quando na verdade, nós não nos sensibilizamos com suas dificuldades e não ouvimos seus gritos ocultos de socorro desde tão cedo? Até quando nos colocaremos apenas na posição de observadores e juizes , distantes e donos absolutos das verdades educacionais e das teorias pedagógicas? Até quando nos colocaremos à margem das dificuldades das crianças, como se fossemos apenas meros espectadores de suas aprendizagens? Até quando iremos empurrar estas crianças de uma escola para outra, como se esse fosse o processo perfeito para assisti-las em suas dificuldades? Até quando a nossa sociedade literata induzirá crianças e adolescentes inteligentes e sadios, com dificuldades especificamente escolares, à caminhos perigosos que certamente irão desestruturar a vida delas e de seus familiares ? Esse é um caminho perigoso...sem volta.... sem futuro. Precisamos antes de mais nada, proporcionar a estas crianças e a seus educadores (pais e professores) a informação de que suas dificuldades tem uma nome, um porquê e uma solução. Agimos de forma arbitrária quando jogamos as dificuldades escolares nas mãos das próprias crianças, quando não lhes damos condições para suas realizações, quando imaginamos que a aprendizagem escolar é inata do ser humano, quando não nos apercebemos de que ler e escrever são habilidades adquiridas, precisam de embasamento anterior para que possa acontecer. Afinal não nos colocamos como senhores absolutos da sapiência e da experiência? Somos incoerentes quando, apesar de conhecedores (teóricos) de todos os fundamentos vanguardistas de educação, continuamos presos ao passado, a uma estrutura educacional ultrapassada, e com vínculos dos estereotipados "alunos perfeitos" e "professores onipotentes". Enfim, fica uma pergunta no ar: São crianças com dificuldades de aprendizagem ou é o sistema escolar com dificuldades de ensino? Precisamos todos ousar. Precisamos todos entender. Precisamos todos nos comprometer. Com todas as crianças, as disléxicas e as não-disléxicas.
"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes"Albert Einstein
Selene Calafangesbcalafa@terra.com.br
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A escola e o disléxico
A dislexia é um distúrbio da aprendizagem que atinge não só crianças como adultos, apresenta-se em 4% da população de uma forma grave e em 6% com problemas leves a moderados.A dislexia ocorre em todas as classes sociais em pessoas com níveis de inteligência variáveis, desde as que não conseguem ler e escrever até aquelas que têm nível superior.Embora a dislexia tenha sido amplamente pesquisada, é importante esclarecer que, como outros tipos de distúrbios de aprendizagem, ela existe em vários níveis. Uma delas é a dislexia que nasce com o indivíduo e que pode ser de causas variadas. Como conseqüência de uma alteração cerebral, a criança tem pouca ou mesmo nenhuma habilidade para a aquisição da leitura/escrita. Muitas vezes ela não consegue chegar à alfabetização, e quando já é alfabetizada apresenta dificuldade de fixação ou mesmo de interpretação do texto lido ou escrito.A escola com atendimento diferenciado, apresentando um programa multidisciplinar específico, é o ideal para o desenvolvimento de atividades próprias, sejam elas acadêmicas ou físicas, artísticas, e musicais. Assim, a escola irá desempenhar uma importante função naeducação da criança disléxica, desenvolvendo basicamente suacoordenação motora, raciocínio e agilidade, auxiliando no seudesenvolvimento global, e na integração no seu grupo social.A dislexia é uma matéria muito complexa, mas vale ressaltar que o disléxico, ao contrário do que dizem, não troca letras, mas sim as confunde, em razão de uma alteração cerebral hemisférica. Sendo assim, ele possui dificuldade em distinguir essas letras que, na maioria das vezes, lhe parecem simples rabiscos sem importância.A escola, neste caso, desempenha o seu papel de educador, não fazendo diagnósticos, mas elaborando e criando atividades específicas, através de profissionais habilitados que, dentro de sua função, agirão como um instrumento valioso de apoio àquele aluno que apresente dislexia.
Edla TrocoliPedagoga e Coordenadora de Educação Especial da EscolaCatavento, na Gávea
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Dislexia
Clélia Argolo Estillfonoaudióloga e psicopedagoga clínica
Dislexia, dificuldade na aprendizagem ou dificuldade de aprendizagem? Nem uma nem outra. É mais fácil conceituá-la através do que não é do que a definir pelo que é. Com toda a certeza não é um problema de inteligência, tãopouco uma deficiência visual ou auditiva, muito menos um problema afetivo-emocional. Então o que é?Dislexia é uma dificuldade específica de linguagem, que se apresenta na língua escrita. A dislexia vai emergir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita, mas já se encontrava subjacente a este processo. É uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem, para reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras, organizando-os corretamente, sendo proveniente das funções corticais superiores.É certamente um modo peculiar de funcionamento dos centros de linguagem, mas não é uma doenca neurológica. É freqüente encontrar-se outras pessoas com dificuldades semelhantes nas histórias familiares. O importante é aceitar-se a dislexia como uma dificuldade de linguagem que deve ser tratada por profissionais especializados. As escolas podem acolher os alunos com dislexia, sem modificar os seus projetos pedagógicos curriculares. Procedimentos didáticos adequados possibilitam ao aluno vir a desenvolver todas as suas aptidões, que são múltiplas. Vale relembrar que os disléxicos estão em boa companhia, junto a Einstein, Agatha Christie, Hans Christian Andersen, Nelson Rockefeller e Tom Cruise, entre muitos.A boa compreensão da leitura provém do equilíbrio entre o desenvolvimento das operações da leitura, decodificação e compreensão, interagindo com os estágios de desenvolvimento do pensamento e dos processamentos lingüísticos. Não é necessário destacar, é claro, a importância dos vínculos afetivos estabelecidos com a aprendizagem.A primeira operação de leitura, a decodificação, tem como estrutura de pensamento operativo predominante o pensamento figurativo, aquele que se ocupa da construção das imagens visuais e auditivas— objeto, espaço e tempo. O sucesso desta operação leitora inicial, a decodificação, vai depender da ação da percepção sobre o objeto a ser apreendido, no caso, a palavra escrita. É neste momento que se constróem as relações entre os sons e as formas, a ordenação sequencial das letras nas palavras e das palavras nas frases.Quanto mais a linguagem escrita, leitura e escrita, se fazem necessárias mais a dislexia se revela, sendo confundida muitas vezes com problemas gerais de aprendizagem. Aí é que mora o perigo!As dificuldades de aprendizagem, nestes casos, não são decorrentes de falhas no desenvolvimento do pensamento operativo, afetivo-emocional, ou sócio-cultural. São alterações decorrentes das dificuldades específicas no processamento lingüístico escrito, que tem a leitura e a escrita como suas ferramentas principais. O valor da intervenção precoce quando suspeitarmos da presença de fatores disléxicos, fala por si mesmo.Há muitos sinais, visíveis nos comportamentos e nos cadernos das crianças, que podem auxiliar aos pais e educadores a identificar precocemente a dislexia. Citamos alguns entre tantos, tais como:demora nas aquisições e desenvolvimento da linguagem, expressão e compreensão; alterações persistentes na fala; dificuldades no desempenho motor, como jogar bola e pular corda; demora em aprender a dar laços, recortar, desenhar, escrever números e letras corretamente; dificuldade para organizar-se no tempo, reconhecer as horas, organizar seqüências temporais; dificuldade em ordenar as letras do alfabeto, sílabas em palavras longas, dias da semana, meses do ano; dificuldade em organizar-se espacialmente e distinguir entre direita e esquerda, em si e no espaço. É preciso ter uma especial atenção com as crianças que gostam de conversar, são curiosas, entendem e falam bem, mas aparentam desinteresse em ler e escrever. Vale a pena, no caso de crianças leitoras, oferecer um mesmo problema matemático, escrito e oral, e comparar as respostas. Freqüentemente encontramos respostas diferentes.A mesma criança que parece não saber resolver um problema e ter dificuldades lógico-matemáticas, quando exposta à situação de processar a mesma questão oralmente, poderá sair-se muito bem. É um caso a pensar. A pessoa com dislexia, na vida escolar, não mereceria ser atendida através de seus melhores canais de comunicação — a linguagem oral antecedendo a linguagem escrita?Importante é pensar a dislexia como uma modalidade peculiar de processamento da linguagem, o que vem sendo cada vez mais pesquisado pelas ciências neuro-cognitivas, tendo a linguagem como vetor. A pessoa com dislexia, ou com fatores disléxicos, mereceria ser examinada e acompanhada por profissionais especializados em linguagem, para que não venham a ser confundidos os sintomas de distúrbios de linguagem com distúrbios de aprendizagem.Vale relembrar — alguém não é apenas a dificuldade que apresenta, esta é só um detalhe de uma paisagem, rica, complexa e bela.
Clélia Argolo Estille-mail: cestill@gbl.com.brTel.: (021) 392 7317 Fax: (021) 259 9959
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3. Ano de Pedagogia
Turma: I
Distúrbios da Aprendizagem
Criança disléxica é discriminada nas escolas
Dislexia...??? Dificuldades de Aprendizagem....???
Dislexia e maus-tratos infantil
A escola e o disléxico
Dislexia por Clélia Argolo Estill
Criança disléxica é discriminada nas escolas
Selene Calafange
Não consigo matricular meu filho nas escolas, para este ano letivo de 2001. Venho, através desta, tornar público o mais recente tipo de discriminação, e ao meu ver, extremamente desumana e cruel.No nosso mundo tão moderno existe um fantasma... um fantasma invisível que consegue transformar algumas crianças em vitimas... vitimas das escolas... vitimas dos professores... vitimas dos colegas... vitimas até dos pais... vitimas da vida. Este fantasma possui o terrível poder de transformar em câncer uma criança inteligente... sadia... este fantasma chama-se Dislexia. Sou uma mãe que vem buscando ajuda e apoio ao filho que tem este diagnóstico. Tenho lutado arduamente e exaustivamente para que o Sistema Educacional Brasileiro apoie e ajude meu filho, mas nada consegui.Tornei-me uma investigadora dos Distúrbios da Aprendizagem, especificamente da Dislexia. Após anos de frustrações e lágrimas, meu filho (hoje com 13 anos), foi diagnosticado como disléxico aos 8 anos. Não compreendo como professores que se apercebem das dificuldades escolares de um aluno, não perceberam do que se tratava. Isso significa que Escola e professores ignoram o que seja Dislexia, nem ao menos sabem que existe... e pior, não sabem que tem jeito! As escolas em que ele estudou, aqui no Brasil, (todas particulares e caríssimas) apenas "observaram" que existia alguma coisa errada com o desenvolvimento escolar dele, mas no fundo, pensavam mesmo é que ele era "lento", "preguiçoso", "não queria nada com os estudos" etc. Fui ao longo dos anos, após freqüentar psicólogos, fonaudiólogos, psicomotricistas e muitos outros especialistas, indicados pelos próprios colégios, acumulando apenas stress e frustrações, até que resolvi, mesmo por insight e por "sentir" as dificuldades dele, tirá-lo de todos estes especialistas e levá-lo a um neuropediatra, onde, após alguns testes, ficou diagnosticada a Dislexia. O médico foi extremamente vago e me disse apenas que não esperasse dele nenhuma intelectualidade (o que, hoje, acho uma atitude bastante negligente) e que não era o caso dele freqüentar escolas especiais, as escolas normais é que deveriam estar aptas a receber estas crianças, mas que aqui, eu nem me iludisse, que não havia nenhuma. Nisso ele estava certo!!! Certíssimo!De lá para cá nada mudou. Continuei a minha via crucies, com professores particulares o ano todo, psicólogos etc... Só agora neste ano de 2000, quando obtive um computador, e guiada pela angústia nos olhos de meu filho ao final de cada avaliação escolar, comecei a pesquisar na Internet sobre o assunto. A cada site que entrava (a maioria em Inglês) ficava mais indignada em perceber o desrespeito oferecido aos disléxicos, pelos órgãos ligados à educação no meu país. Sou graduada em Letras, e nunca durante toda minha vida universitária, aqui no Brasil, tive qualquer esclarecimento sobre os Distúrbios da Aprendizagem, que são muitos, nem como matéria básica do meu currículo universitário, nem como curso de extensão ou palestras, ou qualquer coisa no sentido de informação e conhecimento do assunto. É onde começa a grande ineficiência: na formação dos profissionais de educação.Mergulhei fundo nas minhas pesquisas, ávida de informações que pudessem ajudar-me com meu filho. Hoje , após exaustiva luta, após contatar vários órgãos e instituições brasileiras e estrangeiras, cheguei a algumas tristes conclusões: 1- Pouquíssimas pessoas ligadas à Educação, não generalizando, conhecem a Dislexia e/ou Distúrbios da Aprendizagem, o que dificulta a diagnose precoce, que é muito importante, como também o devido tratamento, ou melhor, treinamento (a reeducação, o que não seria necessário, caso houvesse a prevenção, o que também é possível).2- Alguns profissionais que conhecem o assunto, mantêm uma posição conformista e irresponsável, exatamente por não terem fundamentações e nem conhecimento de causa, nem nenhuma profundidade sobre o tema. Tratam a Dislexia como uma disfunção neurológica irreversível, o que não o é, em verdade. 3- As crianças portadoras de Dislexia, não se enquadram em nenhuma situação na atual Educação Brasileira:Nas escolas particulares, não se conhece a Dislexia. Não existe um apoio especial para alunos disléxicos nestas escolas. Enfim, não existem crianças disléxicas nas escolas particulares. Todos precisam ser "alunos nota 10"! Nas escolas públicas, eles não são enquadrados nem como portadores de necessidades especiais, já que têm seu teste de QI normal (para se ter a diagnose de Dislexia é imprescindível que este teste esteja dentro dos parâmetros do QI médio, ou acima dele), então, se têm o QI normal, e são inteligentes, não são deficientes, não têm dificuldades, simplesmente são vistos e etiquetados "burros", "preguiçosos" ou algo desta natureza. Isto cria um estigma, que eles carregam por a toda a vida, como uma cruz, o que gera uma série de problemas sociais e psicológicos. São freqüentemente crianças humilhadas em casa, na presença dos outros irmãos, sempre com boas notas... humilhadas na Escola, pois ser o lanterninha da classe não é bem um motivo de orgulho, e as outras crianças não perdoam... cria-se um enorme abismo entre elas... Como têm a inteligência normal, e muitas vezes acima do normal, elas percebem que têm dificuldades, mas não sabem como superá-la. Sem ajuda e apoio elas perdem-se... desestimulam-se... desistem... É assim que são tratados os disléxicos no Brasil... Entra, então, neste contexto ,o problema seríssimo da auto estima... eu sei bem o que é isso. Meu filho, aos 7 ou 8 anos dizia-me "eu não devia ter nascido". Apenas para informação: existe uma incidência muito grande de disléxicos nas populações marginais, ou seja, no cárcere, nas drogas e nos desempregados, por não terem apoio, por não serem respeitados, por serem relegados. Não permitirei que meu filho seja mais um número para o aumento desses índices. Não existe especificidade para a Dislexia dentro do Sistema Educacional no Brasil. Não é conferido aos portadores de Dislexia, condições de realizações e de aprendizagem; não têm direito à igualdade de oportunidades educacionais... não têm direito a um futuro.Entrei em contato com muitas instituições estrangeiras, recebi muito material informativo. Comprei muitos livros.Através dos livros, conheci o Prof. Dr. Vítor da Fonseca, coordenador do mestrado em Educação Especial, na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa. Este, deu-me todo o esclarecimento e suporte para que meu filho tenha o necessário para seu desenvolvimento e progresso escolar. Trata-se da reeducação psicomotora. Fiz alguns testes para identificar a dislexia especifica dele. Ficou claro: tinha grandes dificuldades de orientação espacial. Uma criança orienta-se no espaço em relação ao seu próprio corpo. Ora, se ela não consegue reconhecer, sentir seu próprio corpo, o alto e o baixo, a direita e a esquerda (isso chama-se um mal esquema corporal) ela encontra-se desamparada em relação ao mundo exterior. Vi então claramente o que tinha acontecido e como se desenvolveu a dislexia nele: na pré escola, por ele ser hiperativo (outro problema que a Escola não sabe como conduzir), não participava dos exercícios que aprimorava a Psicomotricidade, as professoras me contavam: "Ele foge da sala de aula e vai para o parque!" Achando muita graça nisso. Comecei a analisar então porque o grande índice de reprovação nas escolas públicas, as crianças não tem direito a uma educação psicomotora, porque entram na escola aos 7 anos. É primordial, para que alguém leia ou escreva, que tenha uma educação psicomotora aprimorada até os 7 anos de idade. Para nada mais serve a pré-escola, senão para a socialização e a Psicomotricidade. Se eu consegui me aprofundar e compreender tudo isso, qualquer pessoa interessada e comprometida com a Educação também consegue!!A partir de todas as informações que tinha de fora, resolvi então ver como funcionava aqui no Brasil. Participei de congressos, de palestras. Conversei com congressistas e palestrantes. Fui inclusive a Portugal ver como funcionavam as escolas de lá. Também através da Internet, tomei conhecimento de um curso de especialização para professores, em Dislexia, este em Aveiro. Estive em Portugal, em Outubro de 2000, para ver como funcionava a escola á nível de apoio pedagógico aos disléxicos. Há realmente uma grande preocupação para a conscientização e a sensibilização, em relação à Dislexia.. Estive na EB 2-3 em Ílhavo e vi pessoalmente como funciona o apoio às crianças disléxicas, a nível de Escola. Fui atendida pelo Prof. Dr. Carlos Manuel da Silva, especialista em dislexia, o qual foi de gentileza e atenção inestimáveis.Autodidaticamente, elaborei um projeto de reeducação psicomotora e reeducação corretiva da língua para meu filho (se as suas dificuldades tivessem sido descobertas logo que começou a aprendizagem da leitura, apenas alguns meses de reeducação teriam sido suficientes para libertá-lo de toda esta angustia). Mas para isso preciso que a Escola me dê um apoio, pois de nada adianta este treinamento, se as escolas, não me derem o mínimo suporte necessário, no sentido pedagógico (em Portugal a própria escola faz este treinamento com o aluno, em outro horário). É um trabalho totalmente em conjunto. Tentei em muitas escolas este apoio, ninguém abriu-me esta porta. E pior de tudo: Não consegui matricular meu filho nas escolas que procurei para este ano letivo de 2001. Todas "sugerem", muito sutilmente que procure outra escola. Ou seja, agora, além de todas as dificuldades inerentes ao problema, rejeitam meu filho. Isso é PRECONCEITO, isso é EXCLUSÃO, isto é CRIME e INAFIANÇÁVEL!Mas crimes aqui, não são passivos de justiça.Minha atual situação é a seguinte: Se eu não comunicar às escolas que ele tem dislexia e o que é preciso fazer para tornar viável a aprendizagem dele, o problema vai continuar o mesmo, ou seja, vão mandar chamar-me na escola logo nas primeiras notas, e com aquele "ar catastrófico" irão sugerir que eu o leve, primeiro ao psicólogo, mais tarde ao fonoaudiólogo e assim sucessivamente, já conheço todo o processo. E de nada vai adiantar tudo isso! Já percorri este caminho.... Se eu disser o que sei e aprendi, não o aceitam na escola. E o que eu faço? Quais são as minhas chances? E as do meu filho? Isso tudo acontece simplesmente por pura falta de humildade das Escolas. Não aceitam que uma mãe tenha mais interesse e pesquise mais que elas. Preferem assumir esta atitude negligente e irresponsável para com o aluno. Por que não poderíamos desenvolver juntos algum projeto que ajudasse meu filho, e quem sabe, mais quantas crianças com o mesmo problema? Por que a minha vivência diária de toda uma problemática, e tudo o que aprendi não interessa à Escola? Segundo estatísticas de 15% a 30% das crianças em idade escolar podem ser disléxicas. É uma incidência muito alta. Eu tenho a grande vantagem de estar disponível e de poder dedicar muito tempo à reeducação de meu filho. E as outras crianças? O que será feito delas?Contatei vários órgãos governamentais, como a Secretaria de Educação Especial/SP(SEE/SP), Organizações Não Governamentais, Associação Brasileira de Dislexia (ABD), a LDB - Lei de Diretrizes e Bases, a qual mandou-me um longo e-mail fazendo-me ver que:EXISTE toda uma legislação para apoiar e dar suporte a todos os alunos deficientes ou portadores de necessidades especiais (nisso não se inclui a dislexia) e de uma forma bastante adequada, mas, ao final desta mesma correspondência afirmaram (ipsis litera) :"Como exposto acima, a Lei promove mudanças significativas na questão da Educação Especial. Você deve estar pensando: bom, e na realidade, na nossa vida concreta? Aí é que reside o distanciamento entre o que prescreve a lei e a realidade. As formas de aplicação da lei demandam estudos, devido ao descaso a que essa população específica tem sido relegada"E mais à frente me sugerem:"continue pesquisando e estabeleça rede de contatos com famílias que vivem a mesma situação." Diante do exposto, pelo próprio órgão que legisla a Educação, e não consegue fazer com que se executem as leis por ele próprio elaboradas, fiquei realmente muito desestimulada a ir em frente nesta luta social, descobri que não tenho "poder" para modificar toda uma situação que descobri ser simplesmente política, não é humana, não é social, não é educativa. O aluno é o objeto de menos importância na Educação brasileira.Da Secretaria de Educação Especial (SEE/SP), recebi o convite para incluir minhas pesquisas na Revista Integração, que circula pelo país, a nível de escola pública. E por que eu faria isso? No que minhas pesquisas iriam ajudar meu filho e/ou outras crianças com o mesmo problema? Minhas exaustivas horas de estudos serviriam apenas para informação? Isso é pouco, muito pouco! E efetivamente o que fariam pelo meu filho? Absolutamente nada.Sou uma dessas pessoas que ainda se emociona ao ouvir o Hino Nacional... Mas estou desistindo do Brasil... Tentei de tudo...Estou neste momento, viabilizando a única saída que me restou: sair do Brasil com meu filho. Para que ele possa desenvolver-se e tornar-se um adulto digno. Para que ele possa ter direito a um futuro, a uma vida. Infelizmente não tenho tempo nem disposição para cruzar meus braços e esperar que alguém, um dia tome alguma atitude. Tenho pressa. Agradeço a Deus essas possibilidades. Sei que milhões de crianças no Brasil não as terão.Nas estatísticas de dislexia no mundo, curiosamente o Brasil não participa destas estatísticas. Será o Brasil um país privilegiado? Sem nem ao menos um disléxico?Também não encontramos nenhum brasileiro uma lista de disléxicos famosos.. Privilégio nosso? Talvez sorte...Precisamos fazer com que as escolas não sejam apenas mais uma forma de se enriquecer ilicitamente neste país, digo ilicitamente pela total negligência e falta de comprometimento com o aluno em si, apesar de pagarmos tão alto preço, por uma educação ineficiente, inespecífica e descomprometida. O aluno é apenas mais um número que significa uma cifra. Nada mais...Desde já agradeço a atenção e sei que apenas a imprensa poderá, de alguma forma, pelo menos alertar as autoridades e sensibilizar os profissionais de educação... Tudo é apenas uma questão de investigação, de interesse, de amor ao que se pretende, e que chamam Educar.
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Dislexia...??? Dificuldades de Aprendizagem....???
Epistemologicamente Dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impede uma criança de ler e compreender com a mesma facilidade com que o fazem as crianças da mesma faixa etária, independente de qualquer causa intelectual, cultural ou emocional. Todo o desenvolvimento da criança é normal, até entrar na escola. É um problema de base cognitiva que afeta as habilidades lingüísticas associadas à leitura e à escrita. Pessoalmente questiono a terminologia Dislexia porque produz uma sonoridade de patologia, o que não o é. Não se fala em cura ou tratamento ou medicamentos quando se fala em Dislexia, não é portando uma doença. Ser disléxico é como ser canhoto. Acredito que pessoas são disléxicas e não estão disléxicas, esta é uma condição natural, pessoas nascem disléxicas ou não-disléxicas, e assim permanecem por toda a vida, assim como pessoas nascem canhotas ou destras e assim o são por toda a vida. Os canhotos sofreram durante muitos anos discriminação e tentativas de "tratamento": colocar gesso na mão dominante é hoje considerado um crime, mas não era assim há alguns anos atrás. As bancas escolares eram feitas apenas para os destros, depois foram adaptadas para os canhotos também, assim é ser disléxico... O sistema escolar atual é desenvolvido para a maioria, que é não-disléxica. Os disléxicos ficam à margem de um sistema educacional que os exclui e os aprisiona.A grande polêmica acerca do tema Dislexia é por seu comprometimento neurológico, mas precisamos entender que pertencem à área da Saúde apenas a causa e a diagnose. O reconhecimento das características precocemente, as conseqüências, as soluções e as adaptações pertencem à Educação. Não existem disléxicos entre os analfabetos. É nas salas de aula que a Dislexia se faz presente e o que é pior: de uma forma catastrófica e algumas vezes irreparável.As grandes dificuldades aparecem por volta dos 8 ou 9 anos de idade, quando a criança começa enfrentar temas acadêmicos mais complexos, as notas baixas e fraco desempenho escolar são características básicas na vida escolar de crianças disléxicas. Manifestações de decepção, desaprovação, de cólera, de ridicularização, de humilhação por parte dos grupos a que pertencem, afetam mortalmente a auto-estima destas crianças.Elas são humilhadas em todos os sentidos e por todos os grupos em que está inserida: pelos pais, pelos irmãos, pelos colegas, pelos professores. Com sua auto-estima extremamente abalada, elas certamente desenvolverão distúrbios de conduta: da agressividade à timidez intensa ou depressão, e daí para a marginalidade propriamente dita, para a delinqüência, é apenas um passo. Isso indica um desajustamento social com graves conseqüências para a sociedade como um todo. Não existe orgulho nem satisfação em destacar-se na escola por problemas de aprendizagem, nem pelas notas baixas recebidas. As estatísticas indicam que de 15% a 30% das crianças em idade escolar sofrem com suas dificuldades acadêmicas, 15% delas são disléxicas. É um índice muito alto, para continuarmos com os olhos fechados. Sem a assistência e o apoio necessários estas crianças desestimulam-se, perdem-se e por fim desistem. Pergunto-me se este não seria um bom motivo para que se investigassem os altos índices de reprovação e de evasão escolar.Leitura lenta sem modulação, sem ritmo e sem domínio da compreensão/interpretação do texto lido; confundir algumas letras; sérios erros ortográficos; dificuldades de memória; dificuldades no manuseio de dicionários e mapas; dificuldades de copiar do quadro ou dos livros; dificuldades de entender o tempo: passado presente e futuro; tendência a uma escrita descuidada, desordenada e às vezes incompreensível; não utilização de sinais de pontuação/acentuação gramaticais; inversões, omissões, reiterações e substituições de letras, palavras ou silabas na leitura e na escrita, problemas com sequenciações, essas são apenas algumas das características disléxicas que podem ser observadas nas crianças com dificuldades escolares. Se pudermos dissociar as dificuldades de ler e escrever corretamente à ausência de problemas intelectuais ou de outro tipo de problemas que possam dar uma explicação alternativa ao problema apresentado, então podemos suspeitar de uma possível dislexia. Numa primeira etapa da aprendizagem, algumas crianças podem apresentar estas características, e esses são considerados erros normais dentro do processo de aprendizagem, é preciso distinguir essas dificuldades das dificuldades disléxicas que são mais profundas, constantes e contínuas. Crianças com expressivas dificuldades de leitura não são necessariamente disléxicas, mas todas as crianças disléxicas têm um sério distúrbio de leitura.O diagnostico precoce é imprescindível para o desenvolvimento contínuo das crianças disléxicas. Reconhecer as características é o primeiro passo para que se possam evitar anos de dificuldades e sofrimentos, induzindo esta criança, fatalmente ao desinteresse pela escola e à tudo o que está em torno dela, gerando às vezes quadros "quase-fóbicos", desta criança em relação à tarefas que exijam a leitura e a escrita. Crianças com dificuldades escolares seja qual for a raiz do problema, necessitam de educação, atenção e ensino diferenciados para que possam desenvolver suas habilidades, e quanto mais cedo for detectado o problema, melhores serão os resultados. Uma das grandes frustrações dos pais é saber que seu filho tem problemas escolares. A maioria não sabe o que fazer e como ajudar. O certo seria procurar apoio nas escolas, com os professores, mas estes também, muitas vezes, não sabem o que fazer. Isso porque não foram instruídos para tal. As universidades não capacitam os educadores para lidar com os sérios problemas de aprendizagem. Este é um problema muito complexo, mas certamente todos apontam o dedo para o aluno. Uma criança com dificuldades escolares está marcada cruelmente, carregando a pesada cruz de não saber o que fazer com suas dificuldades. Elas têm uma bomba nas mãos. Estas crianças são atingidas em cheio na sua auto-estima quando, com nossas atitudes, mostramo-lhes como elas são preguiçosas, lentas, burras, desqualificadas... Quando as desprezamos...As abandonamos...Como pais precisamos ultrapassar os limites da culpabilidade e enfrentarmos, junto com nossos filhos, suas dificuldades, e mostrarmos que nosso amor por eles não existe em função de suas notas escolares.Essa é uma associação muito perigosa.Como educadores precisamos caminhar, por conta própria, em busca das informações necessárias para que este quadro se modifique. Não podemos esperar que as informações cheguem às nossas mãos através da Escola. Elas não chegarão. As Universidades não preparam seus alunos, futuros professores, para atender às necessidades das crianças disléxicas. E elas existem! Estão por aí em todas as salas de aulas! Até que desistam...Necessita-se instaurar dentro das escolas, medidas preventivas essenciais para a reestruturação do aluno em sua forma mais abrangente, evitando assim, as situações traumatizantes que os problemas de aprendizagem escolar causam em algumas crianças, que neste atual momento não são, ao menos, respeitadas. Toda e qualquer dificuldade escolar tem uma causa e uma solução. Ninguém nasce com dificuldades escolares, elas aparecem ao longo do caminho e precisam ser observadas , respeitadas e solucionadas.É tarefa de todo e quaisquer educadores, sejam eles os pais ou os professores, ter como base ética o compromisso de ver desenvolver-se dignamente e efetivamente a aprendizagem acadêmica de seu(s) educando(s), buscando novas formas de aprendizagem e novos programas de ensino que possam colaborar para a inclusão destas crianças no mundo das letras, ajudando-as a sobreviver dentro deste único modelo de escola que se nos apresenta. Não podemos mais continuar contribuindo para que nossa sociedade padeça com as conseqüências que a desinformação dos problemas escolares promove; não podemos mais fechar os olhos e calar. Precisamos urgentemente lutar para que as informações e que as novas formas de aprender cheguem dentro das escolas, aos educadores e aos pais. Precisamos restaurar a dignidade humana a nível nacional, mas só o faremos quando pudermos compreender as graves conseqüências sociais que o insucesso escolar provoca, gerando uma relação inadequada entre esta criança e o Mundo.
"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes".Albert Einstein (nosso disléxico mais famoso...)
Selene Calafangesbcalafa@terra.com.br
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Dislexia e maus-tratos infantil
Sabemos todos que o Maus-tratos Infantil, é crime. Dentre as várias formas de maus-tratos infantil está o "maus-tratos emocional": "É interessante destacar que é uma das formas de maus-tratos infantil mais difícil de diagnosticar. Geralmente, detecta-se quando associado a outros quadros severos de maus-tratos e ainda que confirmada a suspeita, a intervenção dos profissionais e/ou do sistema legal ocorre de forma mais cautelosa", afirma Intebi. "É a conseqüência da hostilidade verbal crônica em forma de burla, desprezo, crítica ou ameaça de abandono e constante bloqueio das iniciativas de interação infantil. Quem maltrata psiquicamente pode adotar atitudes tais como de humilhar a criança frente aos outros, privá-la de saídas e de sua integração social, utilizando para isto desde apenas evitar a socialização como até encerrar a criança em casa. Pode-se ilustrar este tipo de maus-tratos dizendo que os filhos podem ser atingidos com atitudes, gestos e palavras, ou simplesmente rechaçando a individualidade da criança ou do adolescente de maneira tal, que impeça o seu desenvolvimento psicológico normal.( Copyright © 2000 eHealth Latin América)" Lendo este texto, com tais informações, fiquei ainda mais preocupada com as crianças disléxicas que, descobri, sofrem sim maus-tratos, quando estão perfeitamente enquadradas dentro das situações citadas acima. Não precisamos bater numa criança para que ela sinta-se maltratada, basta uma palavra pesada em sua essência...um olhar de desprezo...Nós, pais e educadores, maltratamos uma criança quando não compreendemos suas dificuldades escolares e pior que isso, quando as humilhamos com nossos preconceitos acerca do seu insucesso escolar, quando ao avaliá-las ,damo-lhes notas morais e sociais através das suas notas escolares sem ao menos imaginar que nisso existe sofrimento ; quando as comparamos com as crianças não disléxicas . Uma criança com dificuldades escolares está marcada cruelmente, carregando a pesada cruz de não saber o que fazer com suas dificuldades. Elas têm uma bomba nas mãos. Estas crianças são atingidas em cheio na sua auto-estima quando, com nossas atitudes, mostramo-lhes como elas são preguiçosas, lentas, burras, desqualificadas... quando as desprezamos...as abandonamos...quando as deixamos num cantinho da sala de aula...esquecidas. Até quando estaremos cometendo este crime? Até quando apontaremos o dedo para estas crianças e as julgaremos e as condenaremos pelos seus insucessos escolares, quando na verdade, nós não nos sensibilizamos com suas dificuldades e não ouvimos seus gritos ocultos de socorro desde tão cedo? Até quando nos colocaremos apenas na posição de observadores e juizes , distantes e donos absolutos das verdades educacionais e das teorias pedagógicas? Até quando nos colocaremos à margem das dificuldades das crianças, como se fossemos apenas meros espectadores de suas aprendizagens? Até quando iremos empurrar estas crianças de uma escola para outra, como se esse fosse o processo perfeito para assisti-las em suas dificuldades? Até quando a nossa sociedade literata induzirá crianças e adolescentes inteligentes e sadios, com dificuldades especificamente escolares, à caminhos perigosos que certamente irão desestruturar a vida delas e de seus familiares ? Esse é um caminho perigoso...sem volta.... sem futuro. Precisamos antes de mais nada, proporcionar a estas crianças e a seus educadores (pais e professores) a informação de que suas dificuldades tem uma nome, um porquê e uma solução. Agimos de forma arbitrária quando jogamos as dificuldades escolares nas mãos das próprias crianças, quando não lhes damos condições para suas realizações, quando imaginamos que a aprendizagem escolar é inata do ser humano, quando não nos apercebemos de que ler e escrever são habilidades adquiridas, precisam de embasamento anterior para que possa acontecer. Afinal não nos colocamos como senhores absolutos da sapiência e da experiência? Somos incoerentes quando, apesar de conhecedores (teóricos) de todos os fundamentos vanguardistas de educação, continuamos presos ao passado, a uma estrutura educacional ultrapassada, e com vínculos dos estereotipados "alunos perfeitos" e "professores onipotentes". Enfim, fica uma pergunta no ar: São crianças com dificuldades de aprendizagem ou é o sistema escolar com dificuldades de ensino? Precisamos todos ousar. Precisamos todos entender. Precisamos todos nos comprometer. Com todas as crianças, as disléxicas e as não-disléxicas.
"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes"Albert Einstein
Selene Calafangesbcalafa@terra.com.br
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A escola e o disléxico
A dislexia é um distúrbio da aprendizagem que atinge não só crianças como adultos, apresenta-se em 4% da população de uma forma grave e em 6% com problemas leves a moderados.A dislexia ocorre em todas as classes sociais em pessoas com níveis de inteligência variáveis, desde as que não conseguem ler e escrever até aquelas que têm nível superior.Embora a dislexia tenha sido amplamente pesquisada, é importante esclarecer que, como outros tipos de distúrbios de aprendizagem, ela existe em vários níveis. Uma delas é a dislexia que nasce com o indivíduo e que pode ser de causas variadas. Como conseqüência de uma alteração cerebral, a criança tem pouca ou mesmo nenhuma habilidade para a aquisição da leitura/escrita. Muitas vezes ela não consegue chegar à alfabetização, e quando já é alfabetizada apresenta dificuldade de fixação ou mesmo de interpretação do texto lido ou escrito.A escola com atendimento diferenciado, apresentando um programa multidisciplinar específico, é o ideal para o desenvolvimento de atividades próprias, sejam elas acadêmicas ou físicas, artísticas, e musicais. Assim, a escola irá desempenhar uma importante função naeducação da criança disléxica, desenvolvendo basicamente suacoordenação motora, raciocínio e agilidade, auxiliando no seudesenvolvimento global, e na integração no seu grupo social.A dislexia é uma matéria muito complexa, mas vale ressaltar que o disléxico, ao contrário do que dizem, não troca letras, mas sim as confunde, em razão de uma alteração cerebral hemisférica. Sendo assim, ele possui dificuldade em distinguir essas letras que, na maioria das vezes, lhe parecem simples rabiscos sem importância.A escola, neste caso, desempenha o seu papel de educador, não fazendo diagnósticos, mas elaborando e criando atividades específicas, através de profissionais habilitados que, dentro de sua função, agirão como um instrumento valioso de apoio àquele aluno que apresente dislexia.
Edla TrocoliPedagoga e Coordenadora de Educação Especial da EscolaCatavento, na Gávea
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Dislexia
Clélia Argolo Estillfonoaudióloga e psicopedagoga clínica
Dislexia, dificuldade na aprendizagem ou dificuldade de aprendizagem? Nem uma nem outra. É mais fácil conceituá-la através do que não é do que a definir pelo que é. Com toda a certeza não é um problema de inteligência, tãopouco uma deficiência visual ou auditiva, muito menos um problema afetivo-emocional. Então o que é?Dislexia é uma dificuldade específica de linguagem, que se apresenta na língua escrita. A dislexia vai emergir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita, mas já se encontrava subjacente a este processo. É uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem, para reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras, organizando-os corretamente, sendo proveniente das funções corticais superiores.É certamente um modo peculiar de funcionamento dos centros de linguagem, mas não é uma doenca neurológica. É freqüente encontrar-se outras pessoas com dificuldades semelhantes nas histórias familiares. O importante é aceitar-se a dislexia como uma dificuldade de linguagem que deve ser tratada por profissionais especializados. As escolas podem acolher os alunos com dislexia, sem modificar os seus projetos pedagógicos curriculares. Procedimentos didáticos adequados possibilitam ao aluno vir a desenvolver todas as suas aptidões, que são múltiplas. Vale relembrar que os disléxicos estão em boa companhia, junto a Einstein, Agatha Christie, Hans Christian Andersen, Nelson Rockefeller e Tom Cruise, entre muitos.A boa compreensão da leitura provém do equilíbrio entre o desenvolvimento das operações da leitura, decodificação e compreensão, interagindo com os estágios de desenvolvimento do pensamento e dos processamentos lingüísticos. Não é necessário destacar, é claro, a importância dos vínculos afetivos estabelecidos com a aprendizagem.A primeira operação de leitura, a decodificação, tem como estrutura de pensamento operativo predominante o pensamento figurativo, aquele que se ocupa da construção das imagens visuais e auditivas— objeto, espaço e tempo. O sucesso desta operação leitora inicial, a decodificação, vai depender da ação da percepção sobre o objeto a ser apreendido, no caso, a palavra escrita. É neste momento que se constróem as relações entre os sons e as formas, a ordenação sequencial das letras nas palavras e das palavras nas frases.Quanto mais a linguagem escrita, leitura e escrita, se fazem necessárias mais a dislexia se revela, sendo confundida muitas vezes com problemas gerais de aprendizagem. Aí é que mora o perigo!As dificuldades de aprendizagem, nestes casos, não são decorrentes de falhas no desenvolvimento do pensamento operativo, afetivo-emocional, ou sócio-cultural. São alterações decorrentes das dificuldades específicas no processamento lingüístico escrito, que tem a leitura e a escrita como suas ferramentas principais. O valor da intervenção precoce quando suspeitarmos da presença de fatores disléxicos, fala por si mesmo.Há muitos sinais, visíveis nos comportamentos e nos cadernos das crianças, que podem auxiliar aos pais e educadores a identificar precocemente a dislexia. Citamos alguns entre tantos, tais como:demora nas aquisições e desenvolvimento da linguagem, expressão e compreensão; alterações persistentes na fala; dificuldades no desempenho motor, como jogar bola e pular corda; demora em aprender a dar laços, recortar, desenhar, escrever números e letras corretamente; dificuldade para organizar-se no tempo, reconhecer as horas, organizar seqüências temporais; dificuldade em ordenar as letras do alfabeto, sílabas em palavras longas, dias da semana, meses do ano; dificuldade em organizar-se espacialmente e distinguir entre direita e esquerda, em si e no espaço. É preciso ter uma especial atenção com as crianças que gostam de conversar, são curiosas, entendem e falam bem, mas aparentam desinteresse em ler e escrever. Vale a pena, no caso de crianças leitoras, oferecer um mesmo problema matemático, escrito e oral, e comparar as respostas. Freqüentemente encontramos respostas diferentes.A mesma criança que parece não saber resolver um problema e ter dificuldades lógico-matemáticas, quando exposta à situação de processar a mesma questão oralmente, poderá sair-se muito bem. É um caso a pensar. A pessoa com dislexia, na vida escolar, não mereceria ser atendida através de seus melhores canais de comunicação — a linguagem oral antecedendo a linguagem escrita?Importante é pensar a dislexia como uma modalidade peculiar de processamento da linguagem, o que vem sendo cada vez mais pesquisado pelas ciências neuro-cognitivas, tendo a linguagem como vetor. A pessoa com dislexia, ou com fatores disléxicos, mereceria ser examinada e acompanhada por profissionais especializados em linguagem, para que não venham a ser confundidos os sintomas de distúrbios de linguagem com distúrbios de aprendizagem.Vale relembrar — alguém não é apenas a dificuldade que apresenta, esta é só um detalhe de uma paisagem, rica, complexa e bela.
Clélia Argolo Estille-mail: cestill@gbl.com.brTel.: (021) 392 7317 Fax: (021) 259 9959
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domingo, 20 de maio de 2007


A Inclusão digital e suas perspectivas no ensino brasileiro
A inclusão digital é um tema bem atual, estabelecido pela urgente necessidade de se inserir o aluno ao mundo digital e informatizado. A sociedade moderna vive na era da globalização em que as informações percorrem todo o globo terrestre e alcançam todos os povos do mundo. Meios de comunicação como a internet, a mídia (rádio e televisão) possibilitam que qualquer acontecimento que surja em um lado do hemisfério no globo terrestre seja conhecido pelo outro hemisfério. As nações estão muito mais interligadas, conectadas pela rede mundial de computadores e o sistemas televisivos nacionais e internacionais.A esse mundo digitalizado e informatizado faz-se urgente preparar crianças e adultos disponibilizando todos os recursos e conhecimentos tecnológicos. As crianças e adolescentes dessa nova geração já estão conquistando seus espaços, já possuem conhecimentos básicos ou avançados sobre a computação. São os jogos em computadores, acessados nos lares ou nas ¨lan houses¨ (que crescem cada vez mais) e se tornam a ¨febre¨de uma geração ávida de conhecimentos e novidades. Os vídeos games, até mesmo o mais atuais como o playstation já estão tornando-se obsoletos. Os jovens já convivem diariamente em salas de bate-papo na internet, conhecendo pessoas do Brasil e do mundo. A informática, segundo as diretrizes educacionais e os PCNs já conquistam importante significado e incentivo no ambiente escolar. Nunca se falou tanto em inclusão como nos últimos anos.
Conheça então alguns avanços e investimentos sobre a inclusão digital nas escolas:
Pesquisa mostra aumento no número de pontos de inclusão digital no paísOs ponto de inclusão digital (PID) no país cresceram nos últimos anos, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Atualmente, são 16.722 PIDs. Segundo pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2005, existiam no país cerca de 12 mil pontos. Os PDIs são locais de acesso público gratuito à internet, como telecentros e salas de informática.07.05.2007
Internet por rede elétrica: mais que um pilotoMinistério das Comunicações lança projeto de conexão banda larga via rede elétrica em cidade do Maranhão. Haverá 150 pontos, entre escolas, postos de saúde, órgãos públicos, residências e pequenas empresas de Barreirinhas, porta de entrada do Parque dos Lençóis Maranhenses.24.04.2007
Decreto de Lula cede microcomputadores ociosos para inclusão digitalInstituições estão aptas a receber máquinas sem uso em órgãos federais.24.04.2007
Observe quantas leis e decretos já amparam a inclusão digital nas escolas
RESOLUÇÃO INPI - 58, de 14/07/1998Estabelece normas e procedimentos relativos ao registro de programas de computador.
RESOLUÇÃO INPI - 59, de 14/07/1998Estabelece os valores das retribuições pelos serviços de registro de programas de computador.
LEI FEDERAL - 9.609, de 19/02/1998Dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e sua comercialização no País (LEI DE SOFTWARE)
.DECRETO FEDERAL - 5.296, de 2/12/2004Regulamenta as Leis 10.048 e 10.098, estabelecendo normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Leis internacionais
Argentina - Resolución 2226/2000Registración de nombres de dominio en Internet
ANTEPROYECTO DE LEI - ARGENTINA - Protección del Correo Electrónico, 2001RESOLUCIÓN - ARGENTINA - 338, 2001Sobre la regulación de las comunicaciones comerciales por correo electrónico (Disposiciones anti-spam)
Argentina - Resolución 2226/2000Registración de nombres de dominio en Internet
Especialista em Mídia e Educação diz: Falta cultura digital na sala de aula
Especialista diz que a tecnologia e seu conteúdo devem fazer parte do dia-a-dia escolar
Entrevista dada a Débora Didonê, educadora que escreveu o artigo na Revista Nova Escola, março de 2007
O trecho a seguir são palavras de Pier Cesare Rivoltella, especialista em Mída e Educação da Universidade Católica de Milão
¨O Brasil ainda engatinha quando se fala em inclusão digital nas escolas públicas.Até o ano passado, das 143 mil instituições de Ensino Fundamental do país, cerca de 17 mil contavam com laboratórios de informática, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).Porém cresce nas faculdades de Educação a preocupação em formar profissionais preparados para lidar teoricamente com a linguagem das novas mídias e seu significado nas salas de aula. É para apoiar projetos como esse que o filósofo italiano Pier Cesare Rivoltella, especialista em Mídia e Educação da Universidade Católica de Milão, na Itália, visita o Brasil com freqüência. Ele orienta pesquisas sobre a relação entre jovens e internet do Grupo de Pesquisa Educação e Mídia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde também dá aulas sobre Mídia e Educação, e acompanha pesquisas de mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina.¨
Rivoltella diz que as crianças e jovens já tem acesso ao mundo digital, pelos celulares e computadores e que essa facilidade cognitiva em que conseguem compreender e utilizar os meios tecnológicos deve ser trabalhado para que não fique na superficialidade.Entende que cabe ao professor utilizar todos esses recursos (vídeo, computadores, câmeras digitais etc) para que o trabalho seja enriquecido, pois não há mais espaço no mundo moderno para a aula tradicional em que o professor só fala e o aluno escuta.Acredita que a informática deve ser adotada como tema transversal e não disciplina, pois pode resumir-se a aulas sem objetivos e com conteúdos vazios.Preocupa-se com a despreparação e resistência que os professores têm em relação ao uso do computador como ferramenta de trabalho. E afirma que isso cria um enorme abismo cultural entre o aluno e o professor. Porém cita que a inclusão digital nas escolas do Brasil é um investimento que o governo tem itensificado. Países como a Itália, por exemplo, há pouco investimento em relação a nosso país. Mas que nos países europeus o investimento em cultura através de livros é muito intensificado, o professor tem conhecimentos avançados, o que não ocorre no Brasil Diz Na Itália, ainda não temos um curso de graduação que forme mídia-educadores - isso só existe em nível de mestrado e doutorado. No Brasil, essa preocupação parece ser maior. Na faculdade de Educação da PUC de São Paulo, há estudos sobre o tema desde meados dos anos 1990. O mesmo ocorre na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A PUC do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de Santa Catarina também têm disciplinas de Mídia e Educação nos cursos de graduação em Educação. E acompanho projetos como orientador do Grupo de Pesquisa Educação e Mídia da PUC carioca. que é importante nos cursos de Pedagogia inserir a metodologia de ensino em multimídia. E que é preciso ensinar-se a ensinar, a avaliar e compreender os recursos de multimídia. Ressalta que deve-se ter um especialista no assunto, um especialista em Pedagogia e Comunicação.Rivoltella recomenda que o melhor a fazer é ensinar os alunos que a tecnologia é uma ferramenta social. Como fazer isso? Formando grupos que negociem o uso de uma mesma máquina. Em alguns casos, diz ser até melhor ter menos computadores por sala de aula. As escolas provavelmente ganhariam mais se tivessem um computador em cada sala em vez de uma sala de informática com todos os computadores dentro - e 30 ou 40 turmas brigando para usar o espaço. Isso permitiria inserir as tecnologias nas práticas cotidianas. Mas só funciona se todos os professores estiverem dispostos a trabalhar com o computador no dia-a-dia.É possível desenvolver bons trabalhos usando meios como a escrita e a fotografia. Até as rádios comunitárias, que são muito comuns no Brasil, podem ser bem aproveitadas em sala de aula .
RIVOLTELLA mora em Treviglio, região de Milão, e tem 43 anos. É casado e diz ter uma "família conectada". Troca mensagens com os filhos, de 10 e 12 anos, pelo MSN e pelo celular.Antes de estudar Mídia e Educação, trabalhou como animador de cineleituras, exibindo filmes culturais e mediando debates.Curiosidade digitalNos anos 1980, o governo italiano já iniciava a informatização das escolas. Desde então, os professores tiveram apenas capacitação técnica e só agora começam a fazer tímidos estudos teóricos sobre o conteúdo da mídia.
MENSAGEM FINAL
Cabe ao profissional da Educação, pedagogos e professores estarem abertos às mudanças, inserindo a tecnologia nas escolas com objetivos reais e propostas adequadas. E quanto mais o professor se atualizar e acompanhar as novas tendências pedagógicas, o aluno ganhará respectivamente em sua formação integral, tendo acesso à inclusão digital e através dela adquirindo sua cidadania plena.
A inclusão digital não está aí para dificultar o trabalho do professor. E nem para substituí-lo. A máquina nunca substituirá o que o ser humano tem de mais valoroso: o contato pessoal, a troca de vivências e experiências, os sentimentos recíprocos entre professor e aluno. O professor é indispensável para que a tecnologia realmente aconteça no ambiente escolar.
E que a tecnologia seja mais uma ferramenta de trabalho, que oriente a prática educativa e permeie toda a aprendizagem em um mundo competitivo e globalizado. Inclusão digital é uma novidade necessária, estimulante e que certamente enriquecerá toda e qualquer aula.
Conscientizar-se dessas mudanças é compreender que a educação adquire novos rumos e boas perspectivas para um Brasil melhor. E um futuro melhor ainda!
Fonte bibliográfica
Site oppi.com.br (Oppi é sigla do Observatório de políticas públicas de infoinclusão)Revista Nova Escola edição 200 , março 2007
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