domingo, 20 de maio de 2007







Por Simony Aparecida da Silva







A Inclusão digital e suas perspectivas no ensino brasileiro

A inclusão digital é um tema bem atual, estabelecido pela urgente necessidade de se inserir o aluno ao mundo digital e informatizado. A sociedade moderna vive na era da globalização em que as informações percorrem todo o globo terrestre e alcançam todos os povos do mundo. Meios de comunicação como a internet, a mídia (rádio e televisão) possibilitam que qualquer acontecimento que surja em um lado do hemisfério no globo terrestre seja conhecido pelo outro hemisfério. As nações estão muito mais interligadas, conectadas pela rede mundial de computadores e o sistemas televisivos nacionais e internacionais.A esse mundo digitalizado e informatizado faz-se urgente preparar crianças e adultos disponibilizando todos os recursos e conhecimentos tecnológicos. As crianças e adolescentes dessa nova geração já estão conquistando seus espaços, já possuem conhecimentos básicos ou avançados sobre a computação. São os jogos em computadores, acessados nos lares ou nas ¨lan houses¨ (que crescem cada vez mais) e se tornam a ¨febre¨de uma geração ávida de conhecimentos e novidades. Os vídeos games, até mesmo o mais atuais como o playstation já estão tornando-se obsoletos. Os jovens já convivem diariamente em salas de bate-papo na internet, conhecendo pessoas do Brasil e do mundo. A informática, segundo as diretrizes educacionais e os PCNs já conquistam importante significado e incentivo no ambiente escolar. Nunca se falou tanto em inclusão como nos últimos anos.
Conheça então alguns avanços e investimentos sobre a inclusão digital nas escolas:

Governo inclui notebooks no programa Computador para Todos A partir de agora, a população poderá comprar computadores portáteis pelo programa Computador para Todos. Uma portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) publicada hoje (14) no Diário Oficial da União inclui os notebooks no programa. Antes, o programa de inclusão digital do governo federal só permitia a compra de computador de mesa, desktop.14.05.2007
Decreto de Lula cede microcomputadores ociosos para inclusão digitalInstituições estão aptas a receber máquinas sem uso em órgãos federais.24.04.2007

Observe quantas leis e decretos já amparam a inclusão digital nas escolas
RESOLUÇÃO INPI - 58, de 14/07/1998Estabelece normas e procedimentos relativos ao registro de programas de computador.
RESOLUÇÃO INPI - 59, de 14/07/1998Estabelece os valores das retribuições pelos serviços de registro de programas de computador.
LEI FEDERAL - 9.609, de 19/02/1998Dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e sua comercialização no País (LEI DE SOFTWARE)
.DECRETO FEDERAL - 5.296, de 2/12/2004Regulamenta as Leis 10.048 e 10.098, estabelecendo normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Leis internacionais
Argentina - Resolución 2226/2000Registración de nombres de dominio en Internet
ANTEPROYECTO DE LEI - ARGENTINA - Protección del Correo Electrónico, 2001RESOLUCIÓN - ARGENTINA - 338, 2001Sobre la regulación de las comunicaciones comerciales por correo electrónico (Disposiciones anti-spam)
Argentina - Resolución 2226/2000Registración de nombres de dominio en Internet

Especialista em Mídia e Educação diz: Falta cultura digital na sala de aula
Especialista diz que a tecnologia e seu conteúdo devem fazer parte do dia-a-dia escolar
Entrevista dada a Débora Didonê, educadora que escreveu o artigo na Revista Nova Escola, março de 2007
O trecho a seguir são palavras de Pier Cesare Rivoltella, especialista em Mída e Educação da Universidade Católica de Milão
¨O Brasil ainda engatinha quando se fala em inclusão digital nas escolas públicas.Até o ano passado, das 143 mil instituições de Ensino Fundamental do país, cerca de 17 mil contavam com laboratórios de informática, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).Porém cresce nas faculdades de Educação a preocupação em formar profissionais preparados para lidar teoricamente com a linguagem das novas mídias e seu significado nas salas de aula. É para apoiar projetos como esse que o filósofo italiano Pier Cesare Rivoltella, especialista em Mídia e Educação da Universidade Católica de Milão, na Itália, visita o Brasil com freqüência. Ele orienta pesquisas sobre a relação entre jovens e internet do Grupo de Pesquisa Educação e Mídia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde também dá aulas sobre Mídia e Educação, e acompanha pesquisas de mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina.¨
Rivoltella diz que as crianças e jovens já tem acesso ao mundo digital, pelos celulares e computadores e que essa facilidade cognitiva em que conseguem compreender e utilizar os meios tecnológicos deve ser trabalhado para que não fique na superficialidade.Entende que cabe ao professor utilizar todos esses recursos (vídeo, computadores, câmeras digitais etc) para que o trabalho seja enriquecido, pois não há mais espaço no mundo moderno para a aula tradicional em que o professor só fala e o aluno escuta.Acredita que a informática deve ser adotada como tema transversal e não disciplina, pois pode resumir-se a aulas sem objetivos e com conteúdos vazios.Preocupa-se com a despreparação e resistência que os professores têm em relação ao uso do computador como ferramenta de trabalho. E afirma que isso cria um enorme abismo cultural entre o aluno e o professor. Porém cita que a inclusão digital nas escolas do Brasil é um investimento que o governo tem itensificado. Países como a Itália, por exemplo, há pouco investimento em relação a nosso país. Mas que nos países europeus o investimento em cultura através de livros é muito intensificado, o professor tem conhecimentos avançados, o que não ocorre no Brasil Diz Na Itália, ainda não temos um curso de graduação que forme mídia-educadores - isso só existe em nível de mestrado e doutorado. No Brasil, essa preocupação parece ser maior. Na faculdade de Educação da PUC de São Paulo, há estudos sobre o tema desde meados dos anos 1990. O mesmo ocorre na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A PUC do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de Santa Catarina também têm disciplinas de Mídia e Educação nos cursos de graduação em Educação. E acompanho projetos como orientador do Grupo de Pesquisa Educação e Mídia da PUC carioca. que é importante nos cursos de Pedagogia inserir a metodologia de ensino em multimídia. E que é preciso ensinar-se a ensinar, a avaliar e compreender os recursos de multimídia. Ressalta que deve-se ter um especialista no assunto, um especialista em Pedagogia e Comunicação.Rivoltella recomenda que o melhor a fazer é ensinar os alunos que a tecnologia é uma ferramenta social. Como fazer isso? Formando grupos que negociem o uso de uma mesma máquina. Em alguns casos, diz ser até melhor ter menos computadores por sala de aula. As escolas provavelmente ganhariam mais se tivessem um computador em cada sala em vez de uma sala de informática com todos os computadores dentro - e 30 ou 40 turmas brigando para usar o espaço. Isso permitiria inserir as tecnologias nas práticas cotidianas. Mas só funciona se todos os professores estiverem dispostos a trabalhar com o computador no dia-a-dia.É possível desenvolver bons trabalhos usando meios como a escrita e a fotografia. Até as rádios comunitárias, que são muito comuns no Brasil, podem ser bem aproveitadas em sala de aula .

RIVOLTELLA mora em Treviglio, região de Milão, e tem 43 anos. É casado e diz ter uma "família conectada". Troca mensagens com os filhos, de 10 e 12 anos, pelo MSN e pelo celular.Antes de estudar Mídia e Educação, trabalhou como animador de cineleituras, exibindo filmes culturais e mediando debates.Curiosidade digitalNos anos 1980, o governo italiano já iniciava a informatização das escolas. Desde então, os professores tiveram apenas capacitação técnica e só agora começam a fazer tímidos estudos teóricos sobre o conteúdo da mídia.
MENSAGEM FINAL
Cabe ao profissional da Educação, pedagogos e professores estarem abertos às mudanças, inserindo a tecnologia nas escolas com objetivos reais e propostas adequadas. E quanto mais o professor se atualizar e acompanhar as novas tendências pedagógicas, o aluno ganhará respectivamente em sua formação integral, tendo acesso à inclusão digital e através dela adquirindo sua cidadania plena.
A inclusão digital não está aí para dificultar o trabalho do professor. E nem para substituí-lo. A máquina nunca substituirá o que o ser humano tem de mais valoroso: o contato pessoal, a troca de vivências e experiências, os sentimentos recíprocos entre professor e aluno. O professor é indispensável para que a tecnologia realmente aconteça no ambiente escolar.
E que a tecnologia seja mais uma ferramenta de trabalho, que oriente a prática educativa e permeie toda a aprendizagem em um mundo competitivo e globalizado. Inclusão digital é uma novidade necessária, estimulante e que certamente enriquecerá toda e qualquer aula.
Conscientizar-se dessas mudanças é compreender que a educação adquire novos rumos e boas perspectivas para um Brasil melhor. E um futuro melhor ainda!
Fonte bibliográfica
Site oppi.com.br (Oppi é sigla do Observatório de políticas públicas de infoinclusão)Revista Nova Escola edição 200 , março 2007

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